Principal cartel colombiano suspende negociações de paz após acordo entre Trump e Petro
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O Clã do Golfo, principal cartel do tráfico de drogas na Colômbia, suspenderá as negociações de paz no Catar com o governo de Gustavo Petro, em rejeição aos acordos do presidente com Donald Trump para atacar seu líder.
A organização responsável pelo maior volume de exportação de cocaína a partir da Colômbia protestou depois que os presidentes priorizaram ações militares e de inteligência contra seu chefe, Chiquito Malo, durante uma reunião na terça-feira (3) na Casa Branca.
À margem dos diálogos de paz em Doha, Petro expressou a Trump a necessidade de atacar o líder do Clã do Golfo, segundo informou o ministro da Defesa, Pedro Sánchez.
"Isso seria um atentado contra a boa-fé e os compromissos" assumidos até o momento no Catar, afirmou a organização narcotraficante na rede social X, ao anunciar que se retirará da mesa de negociações "provisoriamente" enquanto seus integrantes fazem consultas sobre o anúncio.
"O presidente Petro colocou seus interesses pessoais acima do bem maior, que é a paz nos territórios", acrescentou.
- Mudança de rumo -
Integrantes do governo confirmaram à AFP que a conta que publicou a mensagem pertence à organização de origem paramilitar, que se autodenomina Exército Gaitanista da Colômbia.
Essa nova estratégia entre os dois países muda o rumo das relações entre Colômbia e Estados Unidos, que haviam sido afetadas pelos constantes embates nas redes entre Trump e Petro.
Antes de se reunir com Trump, o presidente de esquerda da Colômbia vinha sendo pressionado por sua suposta falta de firmeza contra as máfias, motivo pelo qual os Estados Unidos lhe impuseram sanções.
O governo e o Clã do Golfo haviam anunciado em setembro o início de conversas no Catar com vistas a um desarmamento em troca de benefícios legais.
Petro enfrentou fortes críticas por sua política de negociar a paz com os principais grupos armados do país, que teriam se fortalecido durante seu mandato. No caso do Clã do Golfo, o próprio governo reconhece que o grupo aumentou em número de integrantes.
- Venezuela -
Além de Chiquito Malo, a Colômbia apontou diante de Trump Iván Mordisco, líder da principal dissidência das Farc que não abandonou as armas após o acordo de paz de 2016, e Pablito, um dirigente da guerrilha do ELN que atua na fronteira com a Venezuela.
"Não são alvos novos para a Colômbia em si, mas são alvos novos para uma ação conjunta entre a Colômbia e os Estados Unidos", afirmou o ministro Sánchez à Caracol Radio.
Chiquito Malo assumiu a liderança do clã após a captura, em outubro de 2021, de Otoniel, extraditado para os Estados Unidos. O segundo na hierarquia do grupo, conhecido como Gonzalito, morreu no fim de semana afogado após sofrer um acidente em uma embarcação quando seguia para uma zona de paz pactuada com o governo.
Em janeiro, o comandante do ELN, Antonio García, disse à AFP que estava disposto a se unir a Iván Mordisco para enfrentar Washington.
Sánchez acrescentou que Colômbia e Estados Unidos convidarão a Venezuela a se juntar à nova ofensiva para combater o narcotráfico.
Essa ofensiva "significa interagir com maiores capacidades em termos de inteligência, mas aplicando a força em cada território segundo a soberania das próprias nações". A intenção "é que a Venezuela também se integre a essa linha", afirmou Sánchez.
O ministro precisou que, no caso da Colômbia, os Estados Unidos colaborariam em tarefas de inteligência, mas "a aplicação da força será feita" pelas forças de segurança colombianas.
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das/nn/lm/aa