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Panamá diz que não 'vai se deixar ameaçar' em meio à tensão com a China-lugardafinancas.com
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Panamá diz que não 'vai se deixar ameaçar' em meio à tensão com a China

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O presidente panamenho, José Raúl Mulino, advertiu nesta quinta-feira (5) que seu país não "vai se deixar ameaçar", embora espere que as tensões com a China diminuam após a anulação do contrato que permite a uma empresa de Hong Kong operar portos no canal.

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A China, por meio do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau, disse na terça-feira que o Panamá pagaria "um alto preço" por cancelar a concessão que permite a uma subsidiária da CK Hutchison Holdings administrar, desde 1997, dois portos na via interoceânica.

A decisão enfureceu Pequim, que, segundo informações da Bloomberg, estaria pedindo a suas empresas estatais que suspendam negociações sobre novos projetos com o país centro-americano.

"O Panamá é um país digno e também não vai se deixar ameaçar por nenhum país sobre a Terra", disse Mulino em entrevista coletiva ao ser questionado sobre as advertências de Pequim.

No entanto, "espero que essa situação não escale, não há motivo para isso", acrescentou.

A decisão da Justiça panamenha ocorreu em meio às pressões do presidente Donald Trump, que ameaçou retomar o canal — construído pelos Estados Unidos — porque, segundo ele, estaria "sob controle" de Pequim.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, advertiu na quarta-feira que seu país "defenderá com firmeza os direitos e interesses legítimos e legais das empresas chinesas".

A crise estourou há uma semana, quando a Suprema Corte de Justiça anulou a concessão, renovada em 2021 por 25 anos, pela qual a filial da Hutchison, a Panama Ports Company (PPC), opera os portos de Balboa, no Pacífico, e Cristóbal, no Atlântico.

Segundo a Justiça, a concessão era "inconstitucional" e apresentava "uma inclinação desproporcional a favor da empresa", em "prejuízo dos cofres do Estado".

Mulino ressaltou que a decisão da Corte é "definitiva" e instou a China a acatar a sentença.

A PPC anunciou na última terça-feira que irá contestar a decisão junto à Câmara de Comércio Internacional (ICC), com sede em Paris, por lhe causar "graves danos", ao mesmo tempo em que denunciou "uma campanha do Estado" contra a empresa.

"Rejeito totalmente que o Panamá tenha passado um ano hostilizando ou ameaçando" a Hutchison; "isso é total e absolutamente falso", afirmou Mulino.

Após a decisão, o governo panamenho anunciou que a empresa dinamarquesa Maersk assumirá de forma temporária a administração dos terminais portuários até que seja concedida uma nova concessão.

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jjr/mis/cr/am

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