CEO do Washington Post deixa o cargo após onda de demissões
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O Washington Post anunciou neste sábado (7) a saída de seu CEO e publisher, Will Lewis, poucos dias após o famoso jornal de propriedade do bilionário fundador da Amazon, Jeff Bezos, realizar cortes drásticos de pessoal que provocaram indignação nos leitores.
A gestão de Lewis à frente do veículo foi duramente criticada tanto por assinantes quanto pelos funcionários durante seus dois anos de mandato, nos quais tentou reverter as perdas financeiras do diário.
Lewis, que é britânico, foi substituído por Jeff D'Onofrio, ex-diretor-executivo da plataforma de redes sociais Tumblr, que foi para o Post no ano passado como diretor financeiro, informou a publicação.
Em um e-mail enviado ao pessoal e divulgado nas redes sociais por um dos jornalistas do Post, Lewis afirma que é "o momento adequado" para dar "um passo atrás".
Em comunicado, o jornal limitou-se a informar que D'Onofrio substituiria Lewis "com efeito imediato".
Centenas de jornalistas do Post, incluindo a maior parte de seu pessoal no exterior, de notícias locais e esportes, foram despedidos nos cortes generalizados do jornal anunciados esta semana.
O Post não revelou o número de postos eliminados, mas o New York Times informou que aproximadamente 300 de seus 800 jornalistas foram dispensados.
A publicação abriu mão de toda a sua equipe de Oriente Médio, e também de seu correspondente na Ucrânia baseado em Kiev, apesar da continuidade da guerra com a Rússia.
Os departamentos de esportes, gráficos e notícias locais foram drasticamente reduzidos, e o podcast diário da publicação, Post Reports, foi suspenso, segundo a imprensa americana.
Centenas de pessoas se reuniram na quinta-feira em um protesto em frente à sede da publicação no centro de Washington.
O Washington Post é famoso pela investigação que causou a queda do presidente Richard Nixon no escândalo de Watergate e foi laureado com numerosos prêmios Pulitzer.
O Wall Street Journal informou no mês passado que 250 mil assinantes digitais cancelaram o Washington Post quando sua direção se negou a tomar posição antes das eleições presidenciais de 2024, vencidas por Donald Trump.
Além disso, o jornal perdeu cerca de 100 milhões de dólares em 2024 (R$ 523 milhões, na cotação atual) devido à queda de receitas com publicidade e assinaturas.
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sst/nro/mvl/ad/mas/rpr