Contas favoráveis ao Kremlin utilizam caso Epstein para desinformar
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Contas nas redes sociais favoráveis ao governo russo aproveitam os documentos relacionados a Jeffrey Epstein para propagar acusações contra a Ucrânia e o tráfico de crianças, segundo investigações da AFP e um relatório do Instituto para o Diálogo Estratégico (ISD) publicado nesta quinta-feira (12).
Desde o início da invasão, a Rússia deportou ou deslocou à força cerca de 20 mil crianças ucranianas, segundo o governo de Kiev.
No entanto, a Rússia afirma que os transportou para protegê-los dos combates.
Em 2023, o Tribunal Penal Internacional emitiu uma ordem de prisão contra o presidente russo, Vladimir Putin, pela "deportação ilegal" de crianças das zonas ocupadas da Ucrânia para a Rússia.
Milhões de documentos publicados em 30 de janeiro sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein, o financista americano que morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento, envolveram figuras importantes em todo o mundo.
As contas de redes sociais que apoiam o governo russo também divulgaram a ideia de que estes documentos demonstrariam que a Ucrânia era um centro mundial de tráfico sexual.
Segundo algumas delas, os arquivos mostram que Putin teria tentado salvar crianças ucranianas de uma rede ligada a Epstein.
Uma publicação recente no X, que teve mais de três milhões de visualizações, afirmou que os arquivos Epstein "confirmam que Putin não havia sequestrado crianças na Ucrânia, mas sim que as havia retirado para protegê-las de serem vendidas no tráfico sexual infantil".
As afirmações dispararam nas redes sociais, após a divulgação mais recente de documentos do caso, com mais de 15 mil publicações no X em dois dias, indicou o ISD, com sede em Londres, em seu relatório publicado nesta quinta-feira.
Outras contas favoráveis ao Kremlin também divulgam a ideia de que estes documentos provam que a Ucrânia era um centro mundial de tráfico sexual.
Embora não exista nenhuma prova de que o governo russo esteja ligado a estas publicações, a divulgação dos documentos do caso Epstein "serve aos seus interesses", estima uma das autoras do relatório do ISD, Liana Sendetska.
"Simplemente tentam saturar o espaço informativo com todo isto para ver se pega", acrescenta outra das autoras, Olga Tokariuk.
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