A edição de 2026 do Super Bowl, marcada para este domingo (8/2), no Levi’s Stadium, na Califórnia, nos Estados Unidos, não vai agradar o presidente Donald Trump. O republicano já disse que não vai comparecer ao jogo final anual da NFL, a liga de futebol americano por conta das atrações musicais escolhidas. A banda Green Day foi escalada para a abertura. Já o cantor porto-riquenho Bad Bunny fará o show do intervalo. 

Em entrevista ao New York Post, Trump disse que a ausência é porque o evento “fica muito longe”, mas logo indicou o verdadeiro motivo. “Sou contra ambos. Acho uma escolha terrível. Tudo o que isso faz é semear ódio”, declarou.

A escolha de Bad Bunny, principal nome latino da música pop atual, já vinha gerando atrito com o trumpismo desde o anúncio oficial, feito em 2025. Trump já havia classificado a escolha do cantor para o evento como “absolutamente ridícula” e chegou a dizer que nunca tinha ouvido falar do artista, criticando o fato de o Super Bowl, segundo ele, não estar celebrando músicos que “amam o país”.

“Nunca ouvi falar desse cara. É uma escolha louca. O Super Bowl deveria celebrar artistas que amam nosso país, não pessoas que o criticam”, afirmou Trump.

Em outubro de 2025, quando Bad Bunny foi anunciado como atração, a gestão Trump chegou a cogitar a realização de uma “batida” do ICE no evento, para tentar localizar imigrantes ilegais que fossem acompanhar o show. 

Bad Bunny x Trump

Bad Bunny ganhou principal categoria do Grammy. Foi a primeira vez que o prêmio de álbum do ano foi para um trabalho em espanhol

Frazer Harrison / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

O porto-riquenho se tornou uma das vozes mais críticas à política migratória dos Estados Unidos e frequentemente denuncia ações do ICE, agência federal de imigração.No Grammy, realizado no domingo (1º/2), o artista reforçou o discurso político ao pedir “Fora, ICE” durante agradecimento ao prêmio de Melhor Álbum. 

 “Nós não somos selvagens, não somos animais. Somos seres humanos e somos americanos. Quero dizer para as pessoas que estão assistindo, para não propagar o ódio. Estava pensando que às vezes a gente fica contaminado, e o ódio acaba se tornando mais poderoso quando você se agrega ao ódio. E a única coisa mais potente que o ódio é o amor”, afirmou. 

Durante a participação no “Saturday Night Live”, em outubro de 2025, Bad Bunny falou sobre o embate com os conservadores. “Sei que pessoas ao redor do mundo que amam minha música também estão felizes.Mais do que uma conquista minha, é uma conquista de todos, provando que ninguém jamais poderá apagar ou tirar a marca e a contribuição dos latinos para este país [os Estados Unidos]”, disse em espanhol.

Aos críticos, ele deu uma alfinetada. “Se você não entendeu o que acabei de dizer, tem quatro meses para aprender”, afirmou.

O artista já tinha causado polêmica anteriormente, quando deixou os Estados Unidos fora da turnê mundial de 2025 e 2026. “O ICE poderia estar lá fora. E era algo que nos preocupava muito”, disse. 

No álbum “Debí Tirar Más Fotos”, lançado em janeiro de 2025, Bad Bunny trouxe letras sobre a realidade colonial de Porto Rico, com referências diretas à desigualdade sob a administração americana. Ele critica o tratamento da ilha como “território de segunda classe”. 

No clipe  “NUEVAYol”, ele colocou a bandeira de Porto Rico na cabeça da Estátua da Liberdade, símbolo norte-americano. Além de um protesto pelos direitos dos porto-riquenhos – que são considerados cidadãos americanos, sem direito a voto nas eleições – a cena faz referência a um episódio real, ocorrido em 1977, quando um grupo de ativistas conseguiram acessar o local, colocaram a bandeira de Porto Rico no topo e fecharam as portas do monumento, mantendo o controle da Estátua da Liberdade por cerca de 15 minutos. 

Em outra cena, um grupo de pessoas ouve uma voz idêntica à de Trump saindo de um rádio.  “Eu cometi um erro. Quero pedir desculpas aos imigrantes na América. Eu estou nos Estados Unidos. Eu sei que a América é todo o continente. Eu quero dizer que esse país não é nada sem os imigrantes. Esse país não é nada sem os mexicanos, dominicanos, porto-riquenhos, colombianos, venezuelanos”, diz a voz. 

Em outro momento, Bad Bunny criticou publicamente ações do governo dos Estados Unidos em Porto Rico, apontando detenções arbitrárias de pessoas nas ruas. “Esses filhos da p*** estão aqui com suas SUVs, em Pontezuela. Ao invés de deixarem as pessoas em paz, trabalhando, ficam incomodando”, disse. 

Green Day já criticou Trump

O grupo pop-punk liderado por Billie Joe também já fez inúmeras críticas ao atual presidente dos Estados Unidos. Nos últimos anos, a banda intensificou mensagens políticas em shows e apresentações televisivas. Durante o Coachella 2025, por exemplo, o vocalista Billie Joe Armstrong alterou versos clássicos de “American Idiot”.

Em vez de “I’m not a part of a redneck agenda” (Não faço parte da mentalidade caipira”), ele cantou “I’m not a part of a MAGA agenda” (Não faço parte da mentalidade MAGA - Make America Great Again).

Billie Joe com bandeira do Brasil com ícone do Green Day

Multishow / Reproduçãp

Em outro momento, na música “Jesus of Suburbia”, o vocalista também alterou versos para incluir referência a crianças palestinas, ampliando o tom político dos shows. Em vez de “Running away from pain when you’ve been victimized” (Fugindo da dor quando você foi vitimizado), a banda cantou “Running away from pain like the kids from Palestine”,  (Fugindo da dor como as crianças da Palestina).

O posicionamento segue em apresentações recentes. Em 2026, durante um show da série iHeartRadio ALTer Ego, Armstrong voltou a criticar políticas migratórias e declarou apoio a manifestantes anti-ICE em Minnesota, além de reforçar mensagens antifascistas. “Esta música é antifascista. Esta música é antiguerra. Nós apoiamos nossos irmãos e irmãs em Minnesota”, disse o vocalista.

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O vocalista também já descreveu Trump publicamente como “um completo idiota” em entrevista à revista Rolling Stone. "O problema de músicas como ''American Idiot' é que, nos Estados Unidos, elas se tornam mais verdadeiras com o tempo. Originalmente, essa música foi escrita [para falar] sobre a presidência de George W. Bush. Mas acho que tem ainda mais peso com a presidência de Donald Trump: uma pessoa claramente incapaz de liderar o país... Ele é um completo idiota", declarou.

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