O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quinta-feira (5) que "Cuba não está sozinha" e aposta em ampliar suas fontes de energias renováveis diante das ameaças dos Estados Unidos de aplicar um "bloqueio energético" à ilha.
"Não podemos explicar abertamente tudo o que estamos fazendo", mas "Cuba não está sozinha", assegurou, em referência a governos, empresas e instituições estrangeiras que manifestaram interesse em apoiar Cuba em meio à crise de combustível, sem mencionar nomes ou detalhes sobre esse apoio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou suas ameaças contra a ilha desde o ataque de 3 de janeiro à Venezuela, com o qual depôs Nicolás Maduro, principal aliado de Cuba, e assumiu o controle do setor petrolífero venezuelano.
A essas ações soma-se um decreto assinado por Trump que poderia impor tarifas aos países que decidirem vender petróleo bruto a Havana, sob o argumento de que isso representa uma "ameaça excepcional" para os Estados Unidos.
A medida de Washington provoca um "agudo desabastecimento de combustível" na ilha de 9,6 milhões de habitantes, disse Díaz-Canel, que reconheceu que, nas últimas quatro semanas, a geração elétrica com grupos geradores a diesel em Cuba foi "zero", devido à falta de combustível.
Ele reconheceu que essa situação "dispara" o déficit energético em todo o país, dependente da energia fornecida por uma envelhecida rede de termelétricas que funcionam com petróleo nacional e pelos sistemas solares instalados no último ano.
"A forma como um conjunto de medidas coercitivas do governo dos Estados Unidos (...) tem sido direcionado ao bloqueio energético do país nos reafirma a importância de manter essa prioridade na transição energética do país em direção às fontes renováveis de energia", acrescentou Díaz-Canel em pronunciamento nacional em rádio e televisão.
Em 2025, foram instalados em Cuba mais de 1.000 megawatts de geração elétrica em cerca de 49 parques fotovoltaicos, que geram 38% da energia que o país consome durante o dia, detalhou.
Antes de 2023, a geração elétrica em Cuba com fontes renováveis de energia era de apenas 3% e, em 2025, cresceu para 10%, segundo dados apresentados pelo presidente.
"Se não tivéssemos esses parques fotovoltaicos, o déficit que hoje temos à noite teria ocorrido durante todo o dia", comentou.
Ele reconheceu que, atualmente, os apagões afetam mais a população "porque priorizamos a economia".
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