A televisão estatal iraniana anunciou a demissão do diretor de um canal regional, após um jornalista falar no ar uma frase hostil ao guia supremo, Ali Khamenei, algo que posteriormente atribuiu a um “lapso”. 

O incidente ocorreu na quarta-feira (11) durante a cobertura das celebrações do 47º aniversário da Revolução Islâmica na província de Sistão-Baluchistão (sudeste). 

O jornalista Musab Rasulizad descrevia ao vivo o fluxo de partidários do poder e repetia os slogans entoados pela multidão, entre eles “Allah Akbar” (Deus é grande). Em seguida, continuou com um “Morte a Khamenei”, em vez “Morte aos Estados Unidos” ou “Morte a Israel”, expressões habituais nesse tipo de concentração. 

Depois, apresentou desculpas em um vídeo no qual mencionou um “lapso” e um “erro”, e denunciou que o incidente foi aproveitado pelos “contrarrevolucionários”. 

O diretor de programação foi demitido imediatamente, informou a televisão estatal, que falou em “um erro ocorrido na rede”. 

“O operador de transmissão e o responsável pela emissão” foram suspensos, enquanto “outros membros da equipe considerados responsáveis foram enviados a uma comissão disciplinar”, especificou. 

Segundo a televisão, essa decisão visa “manter a disciplina profissional e preservar a reputação dos meios”. 

O poder iraniano enfrenta uma onda de protestos sem precedentes iniciada no fim de dezembro, que reprimiu no início de janeiro, provocando milhares de mortes, segundo ONGs de defesa dos direitos humanos. 

Autoridades iranianas reconhecem que mais de 3.000 pessoas morreram nas manifestações, mas afirmam que a maioria são membros das forças de segurança ou transeuntes “assassinados por terroristas” que atuam a mando dos Estados Unidos e de Israel.

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