A Alemanha juntou-se, nesta quinta-feira (12), à França para pedir a renúncia da relatora especial da ONU para os territórios palestinos, Francesca Albanese, devido às suas recentes declarações sobre Israel.

Durante uma intervenção por videoconferência em um fórum organizado em Doha pelo canal Al Jazeera, Albanese falou no sábado de um “inimigo comum” que, segundo ela, permitiu um “genocídio” em Gaza.

“O fato de que, em vez de deter Israel, a maioria dos países do mundo o tenha armado, lhe tenha fornecido desculpas políticas, um guarda-chuva político e também apoio econômico e financeiro é um desafio”, afirmou a advogada italiana.

Para a Alemanha, esses comentários são impróprios para o cargo. “Albanese já havia cometido vários excessos no passado. Condeno as suas recentes declarações sobre Israel. Ela não pode continuar em seu cargo”, afirmou no X o ministro alemão das Relações Exteriores, Johann Wadephul.

Albanese defende-se do que classifica como “acusações falsas” e assegura que suas palavras foram manipuladas.

Questionada na quarta-feira sobre a polêmica pelo canal France 24, Albanese declarou: “Nunca, nunca, nunca disse ‘Israel é o inimigo comum da humanidade’”.

“Falei dos crimes de Israel, do apartheid, do genocídio e condenei como inimigo comum o sistema que não permite levar à justiça e pôr fim aos crimes de Israel”, acrescentou.

Para a associação francesa Juristas pelo Respeito do Direito Internacional (Jurdi), as acusações contra ela “constituem uma grave violação do princípio de independência dos mecanismos da ONU e colocam a questão da difusão de informação manifestamente inexata”.

A associação indicou ter apresentado “uma queixa ao procurador da República de Paris por fatos suscetíveis de constituir o delito previsto por lei em matéria de difusão de notícias falsas, em relação às declarações fraudulentamente atribuídas a Francesca Albanese”.

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