O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli deixou, nesta quinta-feira (12), a relatoria das investigações sobre fraude financeira envolvendo o Banco Master, após ser questionado por seus vínculos com o empresário Daniel Vorcaro, dono do banco investigado. 

Em um caso que monopoliza a atenção da imprensa no Brasil, o que começou com a liquidação por insolvência do banco de Vorcaro, derivou em uma investigação que revela conexões suspeitas com os Três Poderes. 

Um comunicado firmado pelos dez ministros do Supremo, após uma reunião realizada nesta quinta-feira, informa que Toffoli deixará a relatoria do caso. Essa movimentação acontece depois que a imprensa revelou laços entre o ministro e o entorno de Vorcaro, que provocaram desgaste na corte. O caso foi redistribuído para o ministro André Mendonça. 

Na saída da reunião, Dias Toffoli negou que houvesse tensões com seus colegas de toga e disse que a decisão foi "unânime", em declarações a jornalistas. 

A mudança da relatoria do caso Master ocorre depois que a imprensa brasileira noticiou que um relatório da Polícia Federal entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, revela discussões entre Vorcaro e seu cunhado, também investigado, sobre pagamentos pela compra de um resort a uma empresa da qual Dias Toffoli é sócio. 

Em uma nota de seu gabinete, Toffoli admitiu ser sócio da empresa, mas negou qualquer irregularidade e as acusações relativas a pagamentos. 

"O Ministro [...] jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel", diz o texto. 

Na reunião de hoje, os ministros também decidiram que não cabia a "arguição de suspeição" de Toffoli e reconheceram a "plena validade dos atos praticados" nas investigações. 

A imprensa brasileira vem seguindo a pista de Vorcaro há semanas. Até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ter se reunido com o empresário em 2024.  

De vida ostentosa, Vorcaro oferecia através do banco investimentos mais rentáveis que seus concorrentes. Mas, em 2024, o Banco Central detectou que o Master não tinha recursos para cumprir suas obrigações. 

O empresário foi detido em novembro de 2025, mas acabou liberado com medidas cautelares, como o monitoramento eletrônico. 

Além das irregularidades bancárias, a investigação começou a apontar para possíveis vínculos com o poder, a meses das eleições gerais.

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