MIGUEL JERÓNIMO - Presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais

Para Minas Gerais, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia não é apenas um tratado de comércio internacional em fase final de ratificação. Trata-se, desde já, de uma mudança estrutural no ambiente de negócios, capaz de reposicionar empresas mineiras em cadeias globais de valor e de ampliar, de forma concreta, o fluxo de investimentos, comércio e parcerias com a Europa.


Sob a ótica das câmaras de comércio, especialmente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais, o diferencial do acordo está menos nos números globais e mais na sua capacidade de reduzir barreiras práticas, criar previsibilidade regulatória e abrir portas para pequenas e médias empresas, tradicionalmente afastadas do comércio exterior. É nesse ponto que Minas Gerais surge como um dos estados brasileiros mais bem posicionados para capturar ganhos no médio e longo prazo.


Após mais de 25 anos de negociações, o acordo integra dois dos maiores blocos econômicos do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de consumidores e um PIB combinado estimado em US$ 22,4 trilhões. A União Europeia já é o segundo maior parceiro comercial do Mercosul, e o tratado tende a aprofundar essa relação ao eliminar tarifas sobre a maior parte dos bens, ampliar o acesso a compras públicas europeias e reduzir entraves técnicos e regulatórios.


Para o Brasil, estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos indicam um potencial de crescimento de até US$ 7 bilhões nas exportações. Para Minas Gerais, esse impacto ganha contornos ainda mais específicos. Além de produtos agroindustriais, o estado possui forte vocação exportadora em minério de ferro e concentrados, ferro-ligas, óleos brutos de petróleo, carboneto de silício, insumos industriais e produtos farmacêuticos, setores que passam a operar em um ambiente mais previsível e competitivo no mercado europeu.


Nesse contexto, Portugal assume papel estratégico. Pela proximidade cultural, institucional e geográfica, consolida-se como porta de entrada natural para empresas mineiras na União Europeia. Não por acaso, a Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais ampliou recentemente sua atuação com representações em Lisboa e no Porto, em parceria com entidades empresariais portuguesas, criando um canal direto para a prospecção de negócios, investimentos e alianças estratégicas.


O acordo também dialoga com agendas cada vez mais centrais para o comércio internacional, como sustentabilidade, economia circular e padrões ambientais. As cláusulas vinculantes relacionadas ao Acordo de Paris e ao combate ao desmatamento ilegal exigem adaptação, mas também criam oportunidades para empresas que já investem em processos produtivos mais eficientes e responsáveis. Minas Gerais, com sua diversidade industrial e capacidade de inovação, tem condições de se destacar nesse novo cenário.


Embora o tratado enfrente resistências em setores agrícolas europeus e demande ratificação parlamentar, sua entrada em vigor, prevista para o segundo semestre de 2026, tende a inaugurar um novo ciclo de integração econômica. Para as câmaras de comércio, o desafio já não é discutir se o acordo virá, mas preparar empresas, capacitar empresários e estruturar projetos que transformem o texto do tratado em negócios reais.

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Desde sua criação, em 1996, a Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais atua justamente nesse espaço de conexão entre oportunidades internacionais e empresas locais. O acordo Mercosul–União Europeia reforça esse papel e oferece a Minas Gerais a chance de avançar de forma estratégica, organizada e sustentável em sua inserção no mercado europeu.

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