ELEIÇÕES 2026

Zema deixa o governo em março para se dedicar à campanha presidencial

Governador de Minas deve deixar o cargo no dia 22 de março. Posto será assumido pelo vice-governador Mateus Simões

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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), deve deixar o cargo oficialmente no dia 22 de março para se dedicar à pré-campanha à Presidência da República. O afastamento acontece duas semanas antes do prazo final de desincompatibilização para a disputa da eleição deste ano. A informação foi confirmada por fontes próximas ao governador.

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Zema é obrigado a deixar o comando do Palácio Tiradentes antes do início oficial da pré-campanha. A exigência está prevista na legislação eleitoral. A regra se chama desincompatibilização e determina que ocupantes de cargos do Poder Executivo que pretendem concorrer a um posto diferente devem se afastar da função com antecedência. O objetivo é evitar o uso da máquina pública para favorecer candidaturas e garantir maior equilíbrio na disputa eleitoral.

Segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o prazo para a renúncia é de seis meses antes do primeiro turno. Com isso, Zema terá de entregar o cargo ao vice-governador Mateus Simões (Novo), que deve assumir o governo de Minas até o fim do mandato, em 31 de dezembro.

Zema, reeleito em 2022 no primeiro turno com ampla margem, tenta agora converter o capital político construído em território mineiro em viabilidade nacional, um movimento que exige, além de visibilidade fora do Sudeste, a consolidação de um discurso capaz de dialogar com diferentes regiões do país.

Oficializado como pré-candidato do Novo em agosto do ano passado, Zema vem se apresentando como uma alternativa ao bolsonarismo tradicional, embora mantenha diálogo com setores conservadores.

Durante o evento que confirmou seu nome, realizado em São Paulo, o governador fez críticas duras ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem acusou de promover “abusos e perseguições”. Na ocasião, classificou a próxima eleição como decisiva para o país, defendeu o enfrentamento ao “lulismo”, criticou o que chamou de “parasitas do Estado” e associou a crise institucional ao avanço das facções criminosas.

Estratégias da campanha

Enquanto o campo conservador testa nomes e arranjos, a pré-campanha de Zema tem apostado e deve seguir uma narrativa centrada na gestão, no combate a privilégios e na eficiência do Estado, discurso que marca seus dois mandatos em Minas. A avaliação interna é de que alianças partidárias devem ser consequência de um projeto político consolidado, e não o ponto de partida da campanha.

A prioridade, neste momento, segundo fontes ouvidas pela reportagem, é levar a mensagem para além das fronteiras mineiras e apresentar Zema como um gestor com capacidade de replicar, em escala nacional, o modelo adotado no estado.

O governador, que também tem apostado na comunicação digital nos últimos meses, não pretende abrir mão do contato direto com o eleitorado. A avaliação é de que as redes ampliam o alcance da mensagem, mas a construção política segue ancorada no corpo a corpo, em agendas regionais, encontros com lideranças locais e visitas a cidades fora do eixo tradicional do poder, movimento que deve levar o governador a percorrer o país como pré-candidato.

Regionalidades

Embora o discurso nacional esteja em construção, a campanha não deve promover grandes adaptações regionais. Nos bastidores da campanha do governador, a avaliação é de que os problemas enfrentados pela população, elencados pela equipe como alta carga tributária, serviços públicos ineficientes e baixa capacidade de investimento do Estado, são comuns nas diferentes regiões do país.

Assim, o argumento de que o modelo aplicado em Minas, com ajuste fiscal, atração de investimentos e reorganização administrativa, pode ser replicado no Norte e no Nordeste e tem sido tratado como eixo central da estratégia.

Fora de Minas, Zema ainda enfrenta baixos índices de conhecimento do eleitorado, desafio comum a governadores que tentam romper a barreira regional. Segundo Genial/Quaest, divulgada ontem, o mineiro tem 2% das intenções de voto para o primeiro turno das eleições de 2026. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre os dias 8 e 11 de janeiro, com margem de erro estimada em dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Zema como vice

Apesar das especulações, Zema tem reiterado publicamente que não abre mão da candidatura própria ao Palácio do Planalto. Na última segunda-feira (12), ele negou de forma categórica a possibilidade de integrar uma eventual chapa como vice do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hipótese aventada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Eu sou pré-candidato à Presidência, como já foi anunciado no ano passado, e continuo com a pré-candidatura até o final”, afirmou o governador, durante agenda oficial em Minas Gerais. A declaração ocorreu após o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, defender publicamente o nome de Zema como o “melhor vice” para uma chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro.

Ao comentar o cenário eleitoral, Ciro elogiou o perfil administrativo do governador mineiro e disse que ele poderia funcionar como contraponto às críticas dirigidas ao senador fluminense. “O melhor vice, na minha opinião, seria o Zema, por ter entregas e experiência. Acho que esta eleição será decidida no Sudeste”, afirmou. O dirigente do PP ponderou, no entanto, que ainda não está claro se Zema agregaria eleitoralmente à chapa.

A negativa de Zema não encerrou, contudo, as especulações. Um dia depois, Flávio Bolsonaro comentou publicamente o cenário. Na terça-feira (13), ao deixar a Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília, onde visitou o pai, preso sob a acusação de coordenar uma tentativa de golpe de Estado, o senador foi questionado sobre uma possível aliança com o governador mineiro.

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“É óbvio que o Zema é um quadro que considero bastante, um governador também muito bem avaliado. Agora, ele tem um projeto dele. Não pedi para ser meu vice, nem ele se ofereceu”, afirmou. Flávio evitou antecipar definições e disse que a escolha do vice é uma decisão que fica para a reta final da campanha. “Vice é a última coisa que a gente resolve. As conversas estão acontecendo, mas estratégia política não se anuncia”, declarou.

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