Wagner Moura diz que ‘O agente secreto’ nasceu da reação à era Bolsonaro
Ator afirma que filme foi concebido a partir da perplexidade com o Brasil entre 2018 e 2022 e defende a preservação da memória sobre a ditadura militar
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O ator Wagner Moura afirmou que o filme "O agente secreto" não existiria sem a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República. A declaração foi feita durante entrevista ao talk show norte-americano The Daily Show, na qual o artista comentou como o cenário político brasileiro recente influenciou a criação da obra, dirigida por Kleber Mendonça Filho.
Segundo Moura, embora a ditadura militar tenha terminado em 1985, seus efeitos continuam presentes na sociedade brasileira. Para ele, a vitória de Bolsonaro em 2018 representou a materialização desses resquícios autoritários. “Este homem, eleito democraticamente, veio para trazer de volta valores da ditadura militar para o Brasil do século 21”, disse o ator, ao se referir ao ex-presidente.
O artista contou que a ideia do filme surgiu da inquietação compartilhada com o diretor diante do ambiente político vivido no país entre 2018 e 2022. Moura relembrou que chegou a agradecer a Bolsonaro ao receber um prêmio no Festival de Cannes, justamente por considerar que o contexto daquele período foi determinante para a existência do projeto.
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“Sem ele, nunca teríamos feito esse filme. O filme nasce a partir da perplexidade compartilhada por mim e Kleber Mendonça Filho diante do que estava acontecendo no Brasil”, afirmou.
Durante a entrevista, Moura também fez críticas à Lei da Anistia, de 1979, tema central abordado pelo longa. Na avaliação do ator, a legislação comprometeu a memória coletiva ao perdoar crimes cometidos durante o regime militar.
“Ela basicamente perdoou todos os torturadores, assassinos e pessoas que fizeram coisas desprezíveis para os civis. Isso foi muito ruim para a nossa memória coletiva, porque há coisas que não podem ser esquecidas, há coisas que não podem ser perdoadas”, declarou.
Para Wagner Moura, o enfrentamento desse passado começa a ganhar novos contornos com a responsabilização de pessoas envolvidas em ataques à democracia. Ele avaliou que esse processo pode representar um ponto de inflexão para as novas gerações e afirmou que, em sua visão, Bolsonaro só alcançou projeção política por causa do apagamento histórico provocado pela anistia.
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“Bolsonaro nunca teria existido, politicamente, se não fosse por causa dessa lei que fez as pessoas esquecerem o quão ruim foi a ditadura”, disse.