O presidente do PSD em Minas Gerais, Cássio Soares, afirmou ver grande dificuldade para que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, seja candidato ao Senado pelo partido nas eleições de 2026. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, concedida nesta terça-feira (20/1), o deputado estadual disse que o principal obstáculo não é de ordem pessoal ou institucional, mas política e eleitoral, diante do atual posicionamento do PSD no estado.

Cássio destacou que mantém uma relação positiva com Silveira desde a fundação da legenda. No entanto, reconheceu que, hoje, ambos atuam em campos políticos distintos, o que impõe limites claros para uma eventual construção eleitoral conjunta. Para o dirigente, essa divergência não inviabiliza a convivência política, mas pesa de forma decisiva quando o debate se desloca para o terreno das urnas.

Silveira, que assumiu o Ministério de Minas e Energia, construiu sua trajetória recente em alinhamento direto com o Palácio do Planalto. Figura próxima do presidente da República, o ministro tem atuado como um dos principais interlocutores do governo federal em Minas Gerais, especialmente nas agendas de energia, infraestrutura e articulação política com prefeitos.

De acordo com o presidente do PSD mineiro, ainda não há uma definição pública sobre o futuro eleitoral de Alexandre Silveira. Cássio afirmou que Silveira sempre deixou claro que assimila a liderança de Lula na definição de seus próximos passos políticos. “Ainda não sabemos o que será o caminho, qual é a vontade, a decisão dele, mas sabemos que será o lado do presidente Lula. Ele sempre deixou muito claro isso”, disse.

Esse alinhamento, na avaliação do dirigente, torna difícil a compatibilização com o projeto defendido atualmente pelo PSD em Minas, que se posiciona no campo de centro-direita e tem como eixo a candidatura do vice-governador Mateus Simões ao Palácio Tiradentes.

“Vejo muita dificuldade. Como vamos ter um palanque em que o candidato a governador, Mateus Simões, está junto com os candidatos de direita, enquanto o candidato ao Senado pede votos para Lula, que é da esquerda? O eleitor não compreende isso. E uma das coisas que o eleitor não perdoa é a incoerência”, afirmou.

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O presidente do PSD ressaltou que o tema nunca foi formalmente debatido dentro da legenda e evitou fazer afirmações categóricas sobre o futuro de Silveira. “Eu não posso afirmar isso porque isso nunca foi colocado em discussão. Eu vejo uma dificuldade muito grande por questão de coerência”, afirmou.

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