O pastor evangélico Silas Malafaia criticou novamente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República e avaliou que o parlamentar não reúne força política suficiente para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma disputa nacional. As declarações foram dadas em entrevista ao SBT News nessa quarta-feira (21/1).
Na avaliação de Malafaia, a forma como a pré-candidatura foi anunciada revela fragilidade política e teria ocorrido em um momento de vulnerabilidade emocional do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que indicou o filho como seu sucessor no projeto presidencial.
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O líder religioso afirmou considerar inadequado que a decisão tenha sido tomada sem articulação prévia com o Partido Liberal ou com outras legendas do campo conservador. Para ele, o movimento demonstra improviso e ausência de construção política. Malafaia também questionou o momento escolhido para o anúncio, ocorrido às vésperas de um procedimento médico enfrentado por Bolsonaro.
“Eu não vejo o Flávio com musculatura para derrotar Lula. Primeiro, eu achei uma afronta, um pai debilitado emocionalmente, o filho vai lá sozinho, arranca dele: ‘eu sou candidato’. Depois, o pai, para ser operado numa crise, o filho vai lá e faz o pai escrever uma carta. Isso para mim é um amadorismo político de alto grau", disparou Malafaia.
"Eu sou psicólogo. Eu sei o que é uma pessoa debilitada emocionalmente. Como é que um dia antes o presidente está com a esposa e não fala nada? Um dia depois o presidente está com o filho e fala que ele é o candidato. Ele não reuniu nem o PL para falar isso, ele não reuniu os partidos. Eu acho isso um amadorismo incrível, se aproveitando de um momento de debilidade emocional, não mental, mas emocional de Bolsonaro. Uma pessoa fragilizada emocionalmente não é brincadeira, é uma coisa muito séria”, completou.
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Ao comentar o cenário eleitoral, Malafaia ponderou que o critério central não é a capacidade administrativa para ocupar o Palácio do Planalto, mas a viabilidade de vitória contra Lula. Segundo ele, Flávio não conseguiu, até agora, mobilizar a direita nem provocar reação do campo governista, o que, em sua leitura, indica baixa competitividade. "O Flávio já deve ter gravado aí uns oito ou dez vídeos botando pra quebrar em cima de Lula. Eu não vi uma resposta de Lula, eu não vi ninguém do PT falar nada contra ele", apontou.
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O pastor defende o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como alternativa mais robusta para a disputa presidencial. Para Malafaia, Tarcísio teria maior capilaridade política e capacidade de diálogo com setores do centro, condição considerada essencial para derrotar Lula.
Apesar disso, o governador paulista tem reiterado que disputará a reeleição em São Paulo e já manifestou apoio público à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Ainda assim, há um grupo político próximo a Tarcísio que segue defendendo sua entrada na corrida presidencial.
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Até o momento, Flávio Bolsonaro não comentou as declarações de Silas Malafaia. O senador já declarou publicamente que sua pré-candidatura conta com o apoio do pai e de aliados do PL.
