O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) e pré-candidato à Assembleia Legislativa catarinense, Ulisses Gabriel, rebateu críticas e considerou uma “hipocrisia” as críticas feitas pela esquerda em relação às investigações sobre as agressões e morte do cão Orelha, em Florianópolis, no início de janeiro de 2026.
O ataque aconteceu em 4 de janeiro na Praia Brava. Orelha, que tinha cerca de 10 anos, e era cuidado pela comunidade local, foi encontrado ferido por moradores da região e encaminhado para atendimento veterinário, mas precisou ser submetido ao procedimento de eutanásia no dia seguinte. O caso foi denunciado à Polícia Civil em 16 de janeiro.
Três adolescentes são investigados por suspeita de participação no crime. Os celulares de dois deles foram apreendidos durante a chegada no aeroporto após uma viagem de formatura à Disney, nos Estados Unidos, marcada antes da denúncia. Um outro do núcleo principal foi desconsiderado suspeito após apresentar provas de que não estava no local do crime. Até o momento, não foram encontradas provas de que os maus-tratos contra o animal tenham sido praticados como “desafio” promovido por criminosos em redes sociais.
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Em uma rede social, um usuário escreveu ao delegado: “Você não vai resolver. O POVO vai. Bolsonarista acéfalo do krl”. Ulisses compartilhou a mensagem no X (antigo Twitter) respondeu com dados de segurança do estado, ao afirmar que Santa Catarina é o estado com a maior segurança do país, o que tem o menor índice de homicídios e o que resolve mais de 80% das mortes violentas. “Aqui bandido não é vítima da sociedade”, afirmou.
Outro internauta escreveu: “O senhor parece mais preocupado com sua própria imagem do que em punir os assassinos”. Já outro disse: “Que vergonha pra SC! Começaram com um discurso bonito e, aos poucos, foram todos mudando o tom. Justiça sem imparcialidade não é justiça!”.
No X, o chefe da PCSC rebateu as críticas que a corporação está recebendo sobre as investigações do caso, que também abrangem um ataque sofrido por outro cachorro comunitário, o Caramelo, que foi levado ao mar em uma tentativa de afogamento.
“E eu que pensava que o propósito da esquerda era paz e amor. Deve ser apenas os pares e para os traficantes. Ao invés de nos atacar, cobrem de seus deputados a redução da maioridade penal, a melhoria das polícias e o recrudescimento das leis penais. Hiprocrisia de momento.”, escreveu o delegado, que também considerou que as críticas se deram por Santa Catarina “ser um estado de direita” — mesmo que o caso tenha unido diferentes espectros políticos pela punição dos agressores.
O chefe da PCSC confirmou sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa catarinense, em janeiro, ao Jornal do Guarujá. Segundo ele, deve se descompatibilizar do cargo em fevereiro para disputar as eleições de 2026.
Federalização
Ulisses também afirmou que não dirige a investigação, não é amigo ou conhecido dos investigados e que não cabe federalização do caso, uma vez que não há omissão da Justiça catarinense ou violação de direitos humanos. Ele também afirmou que não há vídeo da agressão contra Orelha e que o caso conta com testemunhas e outros elementos de prova.
A federalização é cobrada pela população nas redes sociais após aspectos da investigação após aspectos da investigação serem considerados insuficientes. Em coletiva de imprensa, Ulisses destacou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê a internação de menores infratores apenas como medida socioeducativa excepcional, com prazo máximo de até três anos. Segundo ele, a medida só pode ser aplicada em casos de violência ou ameaça grave contra pessoas, o que não inclui crimes contra animais. Nenhuma medida foi aplicada ainda e o caso segue em investigação.
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Os levantamentos policiais também apontam suspeitas de tentativa de interferência no caso. Três adultos, que são familiares de adolescentes investigados, chegaram a ser indiciados por suspeita de coagir testemunhas, segundo a Polícia Civil.
