Com a piora do estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o início das articulações para as eleições de 2026, aliados mineiros têm se mobilizado para solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para visitá-lo.

O Estado de Minas apurou que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vereador de Belo Horizonte Vile (PL) já protocolaram pedidos oficiais. Além deles, o deputado estadual Caporezzo (PL-MG) deve formalizar a solicitação nos próximos dias. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também não descarta a possibilidade.

No caso de Nikolas, a visita já tem data marcada. O encontro está previsto para o dia 21 de fevereiro, às 10h, e foi previamente autorizado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. No mesmo documento, o magistrado negou um pedido de Bolsonaro para receber o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Magno Malta (PL-ES).

A visita de Nikolas ocorre após a marcha de sete dias realizada por políticos de direita e apoiadores de Bolsonaro, encerrada com um ato na Praça do Cruzeiro, em Brasília. O grupo percorreu cerca de 240 quilômetros entre Paracatu (MG) e a capital federal, com paradas em cidades ao longo do trajeto.

No caso do vereador Vile, a visita deve ter tom familiar. Próximo do ex-presidente, o bolsonarista de Belo Horizonte já havia manifestado preocupação com o estado de saúde de Bolsonaro.

Procurado pela reportagem, Caporezzo confirmou que pretende fazer o pedido. No caso do deputado, a visita também tem componente eleitoral. Pré-candidato ao Senado com o aval do ex-presidente, ele deve tratar da polarização entre candidaturas em Minas Gerais. Embora a eleição esteja próxima, o deputado destacou a preocupação com a saúde de Bolsonaro.

“Pretendo solicitar uma visita ao presidente Jair Bolsonaro o quanto antes. Tenho profunda admiração e amizade por ele e o vejo como um verdadeiro herói injustiçado. E, claro, antes de tudo, Bolsonaro é um idoso com mais de 70 anos, com diversas comorbidades, que deveria estar em casa. Faço questão de visitá-lo, principalmente para dar-lhe um abraço e reafirmar que sempre pode contar comigo.”

Nesta semana, o governador Romeu Zema também comentou o assunto. Questionado durante agenda nesta quarta-feira (4/2), afirmou que, a princípio, não há visita planejada, mas ponderou que “dependendo da situação, tudo é possível”.

Zema também tem se movimentado no cenário nacional. O filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é o nome escolhido por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência em 2026. Recentemente, aliados chegaram a cogitar Zema como vice, hipótese negada pelo governador. Na mesma agenda, ele voltou a afirmar que pretende concorrer ao Palácio do Planalto como cabeça de chapa.

“O que eu fiz a minha vida inteira foi montar times. Primeiro no setor privado. Depois, montamos um time aqui no governo de Minas que está dando certo, que está fazendo entregas. Então, me sinto muito confortável e à vontade para continuar com esse desafio e levar propostas diferentes”, afirmou. “O que eu quero mostrar é que existe uma forma diferente de fazer política, com transparência e responsabilidade”, acrescentou.

Bolsonaro foi transferido para a chamada “Papudinha” em 15 de janeiro. Antes, passou cerca de dois meses preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente foi levado ao batalhão após violar as condições da prisão domiciliar ao danificar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.

Outros estados

Os pedidos de visita ocorrem em meio às discussões sobre candidaturas de direita para as eleições presidenciais de 2026. Na semana passada, Bolsonaro recebeu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Após o encontro, o ex-ministro reiterou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, enquanto Tarcísio afirmou que sua prioridade é a reeleição no estado.

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Também nesta semana, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou a desfiliação do União Brasil e a migração para o PSD, partido de Gilberto Kassab. Caiado já manifestou diversas vezes a intenção de disputar a Presidência em 2026. Além dele, o PSD tem outros nomes cotados para a disputa, como o governador do Paraná, Ratinho Junior, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

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