A posse da nova diretoria da Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Paranaíba (AMVAP), neste sábado (7), em Araguari, deve colocar lado a lado três nomes que vêm se estranhando no cenário político mineiro e que são apontados como potenciais adversários em 2026: o vice-governador Mateus Simões (PSD), o senador Cleitinho (Republicanos) e o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (sem partido).
A cerimônia marca a posse do prefeito de Araguari, Renato Carvalho, como presidente da entidade, mas o destaque político fica para a composição da mesa. Os três convidados têm protagonizado disputas públicas e movimentações eleitorais no mesmo campo político, sobretudo após a crise recente entre o governo estadual e o comando da AMM.
Em conversa com o Estado de Minas, Renato Carvalho afirmou que está animado com o evento e que essa é uma pauta "suprapartidária". “Tenho uma relação boa com todos. Tomar posse é muito importante para nossa região, ainda mais que estamos longe de Belo Horizonte e está será uma valorização”, disse.
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Família Falcão x Simões
O principal embate envolve Simões e Falcão. A relação entre os dois se deteriorou desde a eleição para a presidência da AMM, em 2025, quando o prefeito de Patos de Minas esperava apoio do governo Romeu Zema (Novo) e não o recebeu. O episódio levou Falcão a deixar o partido Novo e a adotar postura mais crítica ao Executivo estadual, especialmente em pautas como a privatização de estatais.
A crise ganhou novo capítulo no início de 2026, quando a deputada estadual Lud Falcão (PP), esposa do prefeito, acusou Simões de ameaçar “fechar as portas” do governo ao mandato dela após críticas públicas feitas por Falcão. O vice-governador negou a acusação e afirmou que a denúncia seria uma tentativa de criar narrativa de vitimização, o que ampliou a repercussão política do caso.
Mateus Simões comentou o caso pela primeira vez publicamente na entrevista ao EM. Disse ter recebido “com tristeza” a acusação de machismo feita pela deputada e ressaltou que a relação entre os dois é antiga e marcada por parceria política. “A Lud é minha amiga. Foi eleita com apoio do governo e usufruiu desse apoio esse tempo todo. Lamento que a gente chegue a esse ponto”, disse.
O vice-governador negou qualquer conduta machista e afirmou que a ligação teve como objetivo reconhecer a posição institucional da deputada. Segundo Simões, o telefonema foi feito à vice-líder do governo na Assembleia Legislativa, como forma de valorização do mandato exercido por ela, e não como interferência indevida. “Quem tem emenda e cargo no governo não é o prefeito. Quem tem emenda e cargo no governo é a deputada. Estranho seria se eu tivesse ligado para ele para falar do mandato dela. Isso, sim, seria machismo”, declarou, referindo-se ao marido da deputada, Luís Eduardo Falcão, prefeito de Patos de Minas.
No púlpito da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a deputada estadual respondeu ao vice-governador. A parlamentar, que fez uma longa digressão sobre sua história política e a de seu marido, o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, disse que a conversa foi um “reconhecimento” de que ela foi ameaçada.
“Queria lembrar ao vice-governador que chego até aqui pelo meu trabalho, por tudo que eu desempenho. Quando ele fala hoje que ligou para a vice-líder do governo, quantas vezes eu recebi ligações e receberei ligações para construir o governo de Minas Gerais. Cheguei aqui porque sei que esse país, esse estado, precisava de mãos fortes depois de um governo ser destruído pela gestão Pimentel. Pela gestão do PT. Pegamos na mão do governador Romeu Zema para construir um estado melhor. Quando recebo ligações, estas ligações vêm para fazer construções. Nesse caso, essa ligação não foi para ter construção, foi de ameaça, algo que não tinha nada a ver com a minha atuação parlamentar”, afirmou.
Também no EM Entrevista, Falcão afirmou que o conflito político só poderia ter sido encerrado com um pedido público de desculpas, o que, segundo ele, nunca ocorreu. O prefeito disse que o episódio "extrapolou o campo institucional", atingiu sua família e escancarou uma postura de desrespeito aos municípios do interior de Minas Gerais.
Disputa pelo governo
Cleitinho, por sua vez, aparece no mesmo tabuleiro eleitoral. O senador é citado em pesquisas como um dos favoritos para a disputa ao governo de Minas em 2026, à frente de nomes como Simões e o próprio Falcão. Recentemente, o senador pediu a interlocutores políticos uma pausa nas conversas sobre a possibilidade de disputar o governo.
Segundo ele, a prioridade por ora é a saúde do irmão caçula, Matheus, que foi diagnosticado com leucemia. A paralisação nas articulações acontece em meio à recente aproximação do senador com Falcão. Eles estiveram juntos no fim de semana passado e têm travado conversas sobre uma eventual aliança.
“Só peço às pessoas, ao pessoal político, principalmente à imprensa, que me dê um tempo sobre essa questão de campanha política agora, de candidatura ao governo. Não quero falar sobre isso agora. Quero, agora, só cuidar do meu irmão e poder ajudar minha mãe”, disse Cleitinho, da tribuna do plenário do Senado Federal.
É a segunda vez que Matheus recebe o diagnóstico de leucemia. Na primeira ocasião, há 18 anos, Cleitinho doou a medula óssea.
Posse
Com isso, a posse da AMVAP reunirá, em um mesmo evento, possíveis adversários diretos na corrida pelo Palácio Tiradentes. Além de Simões, Cleitinho e Falcão, a cerimônia contará com a presença do senador Carlos Viana (Podemos) e participação virtual do governador Romeu Zema (Novo).
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A AMVAP é uma das associações municipalistas mais influentes do interior de Minas e reúne prefeitos do Vale do Paranaíba. A nova diretoria assume em um momento de discussão nacional sobre os efeitos da reforma tributária nas finanças das prefeituras.
