BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O PSD, o União Brasil e o PL estudam formar uma aliança para disputar a próxima indicação da Câmara ao Tribunal de Contas da União (TCU). A estratégia visa desbancar Odair Cunha (PT-MG), candidato apoiado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), num consórcio com a bancada do partido presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os dois partidos do centrão não se sentem contemplados pelo acordo firmado por Motta, que prometeu apoio a Odair para garantir os votos da bancada do PT na disputa pela Presidência da Câmara, em 2025. O PL, por sua vez, apresenta uma forte resistência a apoiar um petista para a vaga na Corte de Contas.
O PSD decidiu lançar candidato próprio e escolheu Hugo Leal (RJ) para a disputa. Já o União tem dois pré-candidatos, Danilo Forte (CE) e Elmar Nascimento (BA), e escolherá um deles em reunião prevista para o próximo dia 23.
Leia Mais
Curiosamente, essas são as duas siglas que tinham candidatos na última disputa pela Presidência da Câmara. O PSD tinha o seu líder, Antônio Brito (PSD) na corrida, enquanto o União defendia Elmar, que também liderava sua bancada. Ambos retiraram suas candidaturas quando Motta oficializou os apoios do PT e do PL.
Nos bastidores, lideranças dos dois partidos afirmam que discutirão um acordo para união de forças. O PSD de Kassab tem 49 deputados, enquanto o União Brasil possui 59. A ideia é atrair o PL para essa aliança, considerando que a legenda bolsonarista ocupa 87 cadeiras na Casa.
De acordo com parlamentares do União e PSD, um acordo poderia ser desenhado visando uma segunda vaga do TCU. O lugar em disputa neste momento é o do ministro Aroldo Cedraz, que se aposenta ainda em fevereiro. Uma segunda é a de Augusto Nardes, que deixaria a Corte compulsoriamente em outubro de 2027, quando completa 75 anos, mas cogita antecipar sua aposentadoria.
Dessa forma, as siglas indicam um acordo para que uma delas leve a vaga de Cedraz, e a outra leve a de Nardes.
- Silveira rebate Nikolas sobre Gás do Povo: ‘Não conhece a pobreza’
- Laudo da PF: Bolsonaro tem condições de ficar na Papudinha
- Ciro Nogueira encontrou Lula e ofereceu afastar PP de Flávio Bolsonaro por acordo no Piauí
A cúpula do PL ainda estuda o cenário, mas lideranças confessam à Folha que a junção de forças com o PSD e o União Brasil é de interesse. Como a votação é secreta, caciques da sigla indicam que a tendência da base é votar em outro candidato que não seja o petista, mesmo que Motta pressione o partido a votar em Odair.
No PL, há uma mágoa com Motta. Deputados citam que apoiaram o atual presidente da Câmara, mas que a suposta promessa de se pautar a anistia aos envolvidos com o 8 de Janeiro jamais foi cumprida. A Casa aprovou uma dosimetria, com perdão parcial de penas dos condenados pela trama golpista. Dessa forma, parlamentares do partido se sentem desobrigados a votar em Odair.
Ou seja: se a aliança entre esses partidos prosperar, os caciques avaliam que podem partir com 190 votos para a disputa. Eles tentarão, ainda, atrair legendas menores que não demonstraram alinhamento a Odair, como o Solidariedade.
Petistas ouvidos pela Folha, porém, destacam que o PL entrou no acordo que previa a indicação de Odair ao TCU. Na costura da eleição de Motta, o partido levou a vice-presidência da Câmara, hoje ocupada por Altineu Côrtes (RJ).
Dessa forma, os petistas esperam os votos do PL. Além disso, dizem contar com apoio consolidado do MDB, PP e Republicanos, ainda como parte do entendimento que levou Motta à Presidência da Casa.
Segundo aliados, Hugo está se preparando para a ofensiva dessa ala do centrão. O presidente da Câmara deve convocar a votação para definir o próximo ministro do TCU ainda em fevereiro, para não dar tempo à articulação adversária. Na última reunião de líderes, em 2 de fevereiro, segundo interlocutores, avisou que procuraria os representantes de cada bancada para garantir apoio a Odair.
Como funcionam as indicações?
O TCU é um ponto de interesse de políticos. Além de contarem com um cargo vitalício, seus ministros trabalham na fiscalização de recursos públicos e no julgamento das contas dos gestores públicos.
A Corte é formada por nove ministros. O presidente da República tem três indicações, sendo que duas delas precisam ser de auditores ou membro do Ministério Público junto ao TCU.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Os seis ministros são escolhidos pelo Congresso Nacional, sendo três pela Câmara e três pelo Senado. O Legislativo, porém, não precisa seguir exigência, tendo liberdade para escolher entre deputados e senadores.
