O padre Flávio Ferreira Alves, da Paróquia Santa Efigênia, em Pingo D’Água (MG), na Região do Vale do Rio Doce, se retratou por ter criticado o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e negado a Eucaristia aos seus apoiadores.
Por meio de nota, a Diocese de Caratinga, também no Vale do Rio Doce, condenou a fala, que chamou de “fato isolado”. O texto é assinado por Dom Juarez Delorto Secco, bispo diocesano de Caratinga.
“O ambiente litúrgico deve ser, primordialmente, um espaço de acolhida, paz e oração, onde todos os fiéis se sintam integrados à comunhão de Cristo, independentemente de suas convicções políticas individuais”, afirmou a entidade.
Arrependimento
A nota afirma que o padre se retratou. “Informamos que o padre Flávio Ferreira Alves reconhece que sua fala, proferida em um momento de forte emoção, não condiz com as orientações pastorais da Igreja. O sacerdote expressa seu profundo arrependimento e pede perdão a toda a comunidade e aos fiéis que se sentiram ofendidos ou excluídos por suas palavras”.
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Crítica
Em vídeo que viralizou nas redes sociais, o religioso critica o parlamentar mineiro durante a homilia. “Tem gente católica concordando com o Nikolas. Vou falar mais uma coisa grave: se você concorda com o Nikolas, que não quer que ‘dá’ o botijão de gás para o pobre, por favor, saia da igreja agora. Você não merece receber a Eucaristia”, disse.
Nikolas Ferreira foi um dos 29 deputados que votaram contra a aprovação do programa Gás do Povo, do governo Lula (PT). A proposta vai oferecer recargas gratuitas de botijões de gás para a população de baixa renda, substituindo o antigo Auxílio-Gás, que é pago em dinheiro, com a promessa de ampliar a cobertura.
Resposta do deputado
O deputado belo-horizontino questionou o motivo de “um simples deputado federal” incomodar tanto religiosos que possam criticá-lo em um momento do culto, uma vez que o que ele fez foi, na visão do parlamentar, dentro do cristianismo. Para o parlamentar, o padre ter condicionado a Eucaristia ao apoio a ele ou não é “bizarro”, uma vez que a Eucaristia é o maior sacramento da Igreja Católica.
“Eu ter votado contra um projeto populista para poder colocar cabresto em cima das pessoas, a gente sabe que o governo de esquerda faz isso há 20 anos, dando migalhas para o povo para depois ter o voto deles. Não se trata de caridade como a Igreja faz, se trata de literalmente assistencialismo para poder escravizar aquela pessoa”, afirmou.
Nota da Diocese de Caratinga na íntegra:
"A Diocese de Caratinga, por meio de seu bispo diocesano e em comunhão com todo o clero, vem a público manifestar-se acerca do fato isolado ocorrido durante a celebração da Eucaristia na Paróquia Santa Efigênia, em Córrego Novo e Pingo D’água, envolvendo o Padre Flávio Ferreira Alves.
A Igreja Católica de nossa Diocese de Caratinga reafirma seu compromisso inabalável com o livre exercício da democracia e com o respeito à pluralidade de opiniões. O ambiente litúrgico deve ser, primordialmente, um espaço de acolhida, paz e oração, onde todos os fiéis se sintam integrados à comunhão de Cristo, independentemente de suas convicções políticas individuais.
Informamos que o padre Flávio Ferreira Alves reconhece que sua fala, proferida em um momento de forte emoção, não condiz com as orientações pastorais da Igreja. O sacerdote expressa seu profundo arrependimento e pede perdão a toda a comunidade e aos fiéis que se sentiram ofendidos ou excluídos por suas palavras. A Igreja ensina que a Eucaristia é o sacramento da unidade e não deve ser utilizada como instrumento de divisão ou segregação.
Diante do ocorrido, a diocese assume o compromisso de tomar as devidas providências necessárias para que episódios desta natureza não voltem a ocorrer, preservando a sacralidade da missa. Reiteramos a nossa responsabilidade com o diálogo aberto na comunidade para restaurar o clima de fraternidade e respeito mútuo.
A Diocese de Caratinga clama ao Espírito Santo que nos conduza pelo caminho da reconciliação e que a nossa fé seja sempre um elo que nos une no amor de Deus."
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A nota é assinada por dom Juarez Delorto Secco, bispo diocesano.
