O senador Alessandro Vieira (MSB) disse que a CPI do Crime Organizado irá votar sobre a convocação de envolvidos no caso Master e quebra de sigilo telefônico do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. A votação está prevista para a semana depois do Carnaval. A afirmação do senador foi feita após a Polícia Federal (PF) pedir a suspeição de Toffoli como relator do caso Master, uma vez que foram encontradas mensagens no telefone celular de Daniel Vorcaro que mencionam o ministro.

Instalada em novembro de 2025, a Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal tem até o mês de abril para apurar a atuação, expansão e o funcionamento de organizações criminosas no país, em especial de facções e milícias, de modo a aperfeiçoar a legislação.

A PF protocolou um pedido de afastamento de Toffoli ao presidente do STF, Edson Fachin, na noite dessa quarta-feira (11/2). Fachin já intimou Toffoli a se manifestar sobre o caso. O conteúdo está sob sigilo e foi entregue pelo próprio diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pelo Correio Braziliense. Os diálogos reforçam as suspeitas de uma possível relação próxima entre Vorcaro e Toffoli, em meio à apuração que envolve o Master.

Vieira chamou a denúncia de “Toffolão” e afirmou que é um “escândalo tão grande que não dá para esconder nas artimanhas do sistema”. O parlamentar ainda disse que “o Brasil só será uma República com todos sob a mesma lei”.

A atuação de Toffoli na relatoria tem sido alvo de críticas e questionamentos entre os Poderes. Isso porque é apontada uma suposta ligação da família do ministro e dele próprio com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de uma sequência de recuos em decisões e acusações de interferência na autonomia da Polícia Federal na investigação.

Conforme o jornal Estado de S. Paulo, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, fez aportes financeiros por meio de um fundo de investimentos no resort pertencente aos irmãos de Toffoli. Outro apontamento é que, em novembro de 2025, o advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende um dos diretores do Banco Master, esteve em um jatinho particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore com Dias Toffoli em viagem para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em Lima, no Peru. Botelho e o ministro alegaram, na época, que “eram apenas torcedores” e que não conversaram sobre trabalho na viagem.

Por meio de nota, a equipe de Toffoli disse que o pedido se trata de deduções e que vai esclarecer as citações encontradas pela PF. “O gabinete do ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte", afirmou.

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*Com informações de Luana Patriolino - Correio Braziliense

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