O domingo de carnaval em Belo Horizonte terá, pela primeira vez, um bloco organizado por movimentos de direita. O chamado Bloco da Anistia desfila amanhã, no Bairro de Lourdes, Região Centro-Sul, com proposta de misturar cortejo carnavalesco e manifestações políticas em defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Leia Mais
A concentração está marcada para as 10h, na Praça Marília de Dirceu, com saída do trio elétrico às 11h. O trajeto seguirá pela Rua Curitiba, com encerramento previsto para as 16h. A organização afirma que o bloco pretende reunir apoiadores da direita com o tema “Pela paz no Brasil” e a expectativa é de grande público nas ruas do bairro.
O evento é resultado de uma articulação de movimentos como DireitaBH, Nação Conservadora, Conservadores em Ação, Movimento Pró-Brasil e União dos Movimentos de Direita. Segundo os organizadores, o bloco também mantém diálogo com o Partido Liberal (PL). Interlocutores ligados ao grupo mencionam a possibilidade de participação dos senadores Cleitinho (Republicanos-MG) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – que é pré-candidato a presidente –, além de um momento religioso conduzido pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Nas redes sociais, os perfis de divulgação do bloco publicam vídeos com músicas e palavras de ordem como “Anistia já” e “Bolsonaro livre”. Em uma das gravações, a delegada Tathiana Guzella (União), vereadora de Curitiba, aparece discursando sobre episódios históricos de anistia a políticos no país.
O repertório do bloco deve mesclar marchinhas tradicionais, paródias e músicas de diferentes estilos, como rock, samba, pagode, MPB e sertanejo. Entre as atrações confirmadas está o deputado federal Eros Biondini (PL-MG), cantor de música gospel católica, que pretende apresentar composições próprias. Segundo ele, as canções escolhidas “falam da bênção de Deus no nosso país”, como a música “Terra de Santa Cruz”.
Em entrevista ao Estado de Minas, Biondini falou sobre o momento. “No próximo domingo estarei participando do Bloco da Anistia como cantor e representante católico em mais essa manifestação pacífica e humanitária. Estarei cantando as canções de minha autoria que marcaram a evangelização nesses últimos anos e falam da defesa da vida, da família e da luta pelo nosso Brasil, a Terra de Santa Cruz”, disse.
Além das músicas autorais, o parlamentar também pretende incluir no repertório canções conhecidas do público religioso, como “Chuva de Graça”, popularizada por nomes como Padre Marcelo Rossi, Padre Fábio de Melo e Frei Gilson. Biondini, que se declara pré-candidato ao Senado, afirma que a iniciativa do bloco abre espaço para a participação de eleitores conservadores na folia. Segundo ele, “nada mais justo e legítimo do que os movimentos de direita também terem a oportunidade de se manifestarem e participarem”.
Outro nome anunciado é o sambista paulista conhecido como Boca Nervosa, que deve apresentar músicas com conteúdo político, incluindo a composição “Anistia já”, tratada como tema do bloco, e a canção “Fora Xandão”, em protesto contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. O artista também pretende incluir no repertório outras composições de teor político, como “Acorda Brasil” e “Faz o L, jumento”.
De acordo com os organizadores, o bloco reúne cerca de uma dúzia de movimentos de direita e pretende levar milhares de pessoas às ruas. Não há indicação sobre que roupa vestir no carnaval, mas é esperado que os participantes brinquem o carnaval vestidos de verde e amarelo, assim como o fazem em manifestações na Praça da Liberdade. A programação prevê trio elétrico, banda de samba, apresentações musicais e participação de DJs. O cortejo integra o calendário oficial do carnaval de Belo Horizonte.
Ainda segundo os organizadores, a ideia do bloco surgiu da percepção de que a direita ainda ocupa pouco espaço nas manifestações culturais do carnaval da capital, historicamente associadas a pautas e grupos de esquerda. A proposta, afirmam, é abrir um espaço para o público conservador participar da festa e expressar suas posições políticas.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A estreia ocorre em ano eleitoral e em um contexto nacional marcado pelas discussões sobre as condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro e a situação judicial de Bolsonaro, tema que deve ser central nas palavras de ordem e nas músicas apresentadas ao longo do cortejo
