O Brasil dá um passo decisivo na proteção da saúde infantil e materna. O Ministério da Saúde iniciou a distribuição da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) em todo o território nacional. Ao todo, foram adquiridas 1,8 milhão de doses, que estarão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A vacina garante a proteção para gestantes e recém-nascidos com a imunização desse público prioritário a partir da 28ª semana de gravidez. A estratégia, segundo o Ministério da Saúde, é proteger os bebês ainda no ventre, garantindo imunidade nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade.
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De acordo com órgão estatal, é muito importante começar a vacinação já em dezembro, para que a proteção total para o bebê já esteja ativa antes de chegar o inverno, que é quando tem o maior número de casos.
Até novembro, o Brasil registrou mais de 43 mil casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sendo 35 mil em crianças menores de dois anos. O VSR é responsável por cerca de 60% a 80% dos casos de bronquiolite e é a causa de aproximadamente metade das internações por pneumonia nessa faixa etária, tornando-se uma das principais causas de internação em UTI pediátrica.
Sinais da doença
Segundo a médica pediatra Thatyana Turassa,integrante da equipe do INKI, plataforma de consultas médicas particulares, os sintomas variam conforme a idade. Em bebês e crianças pequenas, o início pode se confundir com um resfriado comum, com coriza, tosse leve, febre baixa e redução do apetite.
“A gravidade aparece quando a infecção atinge os bronquíolos, causando inflamação e obstrução. Os sinais de alerta incluem respiração acelerada, chiado no peito, dificuldade para mamar e sonolência. Em casos graves, pode haver cianose e pausas respiratórias”, ressalta a médica.
A especialista ainda alerta que, em adultos e idosos, os sintomas costumam ser leves, semelhantes a um resfriado. “No entanto, em pessoas acima de 60 anos ou com doenças crônicas, o vírus pode evoluir para pneumonia e insuficiência respiratória, com tosse produtiva, falta de ar e fadiga”, afirma Thatyana.
Quando procurar atendimento médico?
Thatyana Turassa reforça que a busca por atendimento deve ser imediata diante de sinais de gravidade. Bebês menores de 1 ano com piora da respiração ou dificuldade para se alimentar precisam de avaliação urgente. O pico de gravidade da bronquiolite ocorre entre o terceiro e o quinto dia da doença.
Já idosos e adultos com comorbidades devem procurar assistência médica se houver falta de ar, chiado intenso, confusão mental ou febre persistente. “Na dúvida, a avaliação médica é sempre o caminho mais seguro, pois o diagnóstico precoce e o suporte adequado podem evitar a progressão para quadros graves”, diz a pediatra.
A importância da imunização
A inclusão da vacina contra o VSR no Programa Nacional de Imunizações (PNI) representa um avanço significativo para a saúde pública brasileira, conforme a pediatra.
“Em gestantes, a vacinação promove a produção de anticorpos que são transferidos para o bebê pela placenta, conferindo proteção logo nos primeiros meses de vida. Para recém-nascidos cujas mães não puderam ser vacinadas e que não se enquadram nos grupos prioritários do SUS, existe a opção do anticorpo monoclonal em dose única (Nirsevimabe) na rede privada, uma tecnologia avançada que garante proteção imediata durante todo o período de maior circulação do vírus”, detalha Thatyana.
Já para os idosos, ressalta a médica, a vacinação reduz de forma expressiva o risco de hospitalização e mortalidade, reforçando a importância dessa estratégia imunizadora para diversos públicos vulneráveis.
Benefícios coletivos
A imunização contra o VSR é considerada custo-efetiva e estratégica para o sistema de saúde. Ao prevenir casos graves, diminui a necessidade de oxigênio, internações e leitos de UTI, aliviando a sobrecarga hospitalar nos períodos de maior circulação do vírus.
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“Proteger bebês, gestantes e idosos significa reduzir drasticamente o impacto do VSR na saúde pública. É uma medida que salva vidas e fortalece o SUS”, aponta Thatyana Turassa.
