O jornal “The Washington Post”, de propriedade do bilionário Jeff Bezos, anunciou o fim de sua tradicional seção de críticas de livros, conhecida como “Book World”. A medida faz parte de um corte de custos maior e gerou forte repercussão no mercado editorial e jornalístico.

A decisão é carregada de ironia: Bezos construiu o império da Amazon a partir da venda de livros pela internet, modelo de negócio que transformou a empresa na maior varejista global. Agora, o jornal que ele adquiriu em 2013 encerra um dos espaços mais respeitados para a celebração e análise de obras literárias.

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O encerramento da editoria está inserido em um plano de reestruturação do jornal, que busca otimizar suas operações. Além da seção de livros, o “Washington Post” também encerrou o seu caderno de esportes e reduziu severamente as editorias de cobertura local (Metro) e internacional, com extinção de cargos de correspondentes, incluindo toda a equipe do Oriente Médio. Os cortes resultaram na demissão de cerca de 300 jornalistas e no fechamento de vagas que estavam em aberto.

Publicada por mais de 50 anos, a “Book World” era uma referência no jornalismo cultural dos Estados Unidos. A perda do espaço dedicado levanta preocupações sobre a diminuição da visibilidade para autores e novas publicações em um dos principais veículos de comunicação do mundo.

Segundo a direção do jornal, a cobertura sobre livros não será completamente extinta. A proposta é que resenhas e reportagens sobre o tema sejam integradas a outras seções, como Estilo e Opinião. No entanto, a mudança elimina a equipe exclusiva e o caderno que funcionava como um selo de qualidade para o setor.

O movimento é visto como simbólico do atual cenário da mídia. A Amazon revolucionou o mercado editorial, muitas vezes enfraquecendo livrarias tradicionais. Anos depois, uma decisão de negócios no jornal de seu fundador reduz ainda mais o espaço para a crítica literária, um pilar fundamental para a formação de leitores e a divulgação da cultura.

A repercussão negativa questiona o compromisso de bilionários da tecnologia com o jornalismo de profundidade. A crítica central é que, ao priorizar a lucratividade e a eficiência operacional, o novo comando pode estar sacrificando áreas de grande valor cultural, mas que talvez não gerem o mesmo engajamento digital de outros temas.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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