
A viagem afetiva pela Belo Horizonte de Fernando Sabino revela decep��es tamb�m. A Escola Estadual Bar�o de Rio Branco, na qual a m�e do escritor deu aulas, est� fechada h� mais de um ano, em demorado processo de restaura��o. Sem janelas e com paredes pichadas, o pr�dio na Avenida Get�lio Vargas, por enquanto, se assemelha a um triste esqueleto de tijolos e cimento.
Na Avenida Afonso Pena com Rua da Bahia, no Centro, o Othon Palace foi erguido h� muitos anos no lugar onde funcionava o Bar do Ponto, local de encontro de escritores desde o in�cio dos anos 1920, frequentado por Carlos Drummond e Pedro Nava quando Sabino era beb�. O autor de "O encontro marcado" tamb�m frequentou o bar. Mais � frente, ainda na Bahia, o Edif�cio Trianon, mesmo preservado, em nada lembra o bar de mesmo nome que funcionou ali e que tamb�m era local de reuni�o de jornalistas, escritores e intelectuais.
Mas a grande frustra��o de quem vai atr�s das boas lembran�as de Fernando Sabino est� no Viaduto Santa Tereza, sujo e abandonado. Inaugurado em 1929, para ligar o Centro de BH aos bairros da Regi�o Leste, o elevado mexeu com o imagin�rio de muitas gera��es de jovens. Dizem que um dos primeiros a subir em seus arcos e desafiar o perigo foi o poeta Carlos Drummond de Andrade, mas ele nunca confirmou a hist�ria.
Em "O encontro marcado", o escritor revela: "…(rezava a tradi��o) um poeta (um grande poeta) havia feito aquilo antes para se divertir. No seu tempo, subia �s tr�s da tarde, depois de tomar apenas um copo de leite". Sabino realizou a fa�anha e a incluiu no livro, o que s� fez aumentar o interesse de jovens de outras gera��es em repetir o desafio.

DEGRADA��O Hoje, com muretas e l�mpadas quebradas, asfalto e cal�ada ruins e os arcos totalmente pichados, o viaduto, � espera de restaura��o completa prometida h� alguns anos, � uma prova da degrada��o da regi�o central. A estrutura embaixo do viaduto, transformada em banheiro p�blico e ponto de consumo de drogas, refor�a o abandono.
Nada lembra a euforia dos tr�s personagens do livro. Embalados por excesso et�licos e pela coragem, eles e os amigos se arriscam a cair entre os trilhos da linha f�rrea, bem abaixo do viaduto. Com certeza, Eduardo Marciano, Mauro e Hugo, por mais corajosos que fossem, n�o se arriscariam a repetir o feito descrito na obra mais famosa de Sabino.

