Teranóstico: abordagem une diagnóstico e tratamento do câncer
Especialista explica mitos e verdades sobre o método da medicina nuclear que promete menos efeitos colaterais e cuidados personalizados
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Receber o diagnóstico de câncer costuma vir acompanhado de dúvidas, medos e muitas informações, nem sempre claras. Termos como teranóstico ainda soam distantes para grande parte dos pacientes, apesar de ser uma realidade no Brasil.
Carlos Alberto Buchpiguel, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Serviço de Medicina Nuclear do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas, desmistifica alguns mitos sobre essa abordagem que vem transformando a forma de diagnosticar e tratar a doença na oncologia moderna.
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Mito: é algo experimental ou ainda em fase de testes
A verdade: o teranóstico já é uma realidade na prática clínica, especialmente em centros especializados. Ele é uma estratégia da medicina nuclear que integra diagnóstico e tratamento em um único processo, utilizando, na maioria das vezes, a mesma molécula para identificar e tratar o tumor.
De forma simplificada, essa molécula é inicialmente ligada a um marcador com finalidade diagnóstica e utilizado em exames de imagem, como o PET/CT, permitindo identificar com precisão onde estão as células doentes e quais características elas apresentam. Em seguida, a mesma molécula pode ser ligada a um outro tipo substância (isótopo radioativo) com finalidade terapêutica, capaz de induzir a morte do tecido tumoral.
“Com essa análise molecular não invasiva (através de imagem), conseguimos entender se diferentes lesões espalhadas pelo corpo têm a mesma origem e a mesma expressão biológica. Isso muda completamente a condução do tratamento”, explica Carlos Alberto.
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Mito: Todo paciente com câncer pode fazer teranóstico
A verdade: o teranóstico não é indicado para todos os pacientes. Ele só funciona quando o tumor expressa um alvo molecular específico, que precisa ser identificado previamente nos exames de imagem. “A indicação depende diretamente do que vemos no PET/CT. É a imagem que mostra se aquela doença expressa o alvo necessário para que a terapia funcione, por isso a precisão da imagem nessa etapa é fundamental”, afirma o especialista.
Essa seleção cuidadosa é justamente o que torna o tratamento mais assertivo e personalizado evitando terapias que não trariam benefício real para aquele paciente.
Mito: O tratamento causa muitos efeitos colaterais
A verdade: por ser altamente direcionado e afetando praticamente apenas o tecido tumoral, com pouco efeito nos tecidos saudáveis vizinhos, o teranóstico tende a provocar menos efeitos colaterais quando comparado a abordagens menos específicas. O radiofármaco atua principalmente sobre as células doentes, poupando, em grande parte, os tecidos não comprometidos pelo câncer.
“Quando conseguimos levar a radiação exatamente até o tumor, aumentamos a chance de resposta clínica e reduzimos impactos no organismo como um todo. Isso se reflete diretamente na qualidade de vida do paciente”, destaca o médico.
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Mito: O teranóstico serve apenas para tratar o câncer de próstata
A verdade: Embora seja mais conhecido no tratamento do câncer de próstata, especialmente em fases mais avançadas da doença, o teranóstico não se limita a esse tipo de tumor. Uma outra área de aplicação do teranóstico já aprovada no Brasil e em outros países é para o tratamento de tumores neuroendócrinos metastáticos, com significativo impacto positivo na melhora da sobrevida global desses pacientes.
Estudos e aplicações clínicas vêm avançando em outras áreas da oncologia, reforçando o papel da medicina nuclear e da imagem molecular como pilares da oncologia de precisão. No Brasil, essa abordagem vem ganhando espaço em centros especializados, acompanhando uma tendência global de personalização do cuidado oncológico.
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Para o paciente, entender como o teranóstico funciona e em quais situações ele pode ser indicado é parte importante da jornada de cuidado. “Informação de qualidade ajuda a reduzir o medo e alinhar expectativas. O fundamental é conversar com a equipe médica para entender quais opções fazem sentido para cada caso”, orienta o especialista.