Crianças na oncologia e os desafios para preservar a saúde emocional
Diagnóstico na infância provoca uma ruptura brusca na rotina, nos vínculos sociais e na sensação de segurança, podendo gerar medo, ansiedade e tristeza
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Com a proximidade do Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil, lembrado neste domingo (15/2), o alerta vai além do tratamento médico: é preciso olhar também para a saúde emocional de crianças e adolescentes que enfrentam a doença. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de oito mil novos casos são diagnosticados por ano no Brasil, sendo a leucemia o tipo mais frequente.
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O diagnóstico de câncer na infância provoca uma ruptura brusca na rotina, nos vínculos sociais e na sensação de segurança da criança. Internações frequentes, procedimentos invasivos e afastamento escolar podem gerar medo, ansiedade, tristeza e alterações comportamentais. Segundo o psicólogo infantil Miguel Bunge, o cuidado emocional precisa caminhar junto com o tratamento médico.
“O câncer infantil não impacta apenas o corpo. A criança percebe as mudanças ao seu redor, capta a tensão da família e, muitas vezes, tenta lidar com sentimentos intensos sem compreender totalmente o que está acontecendo. O suporte psicológico ajuda a dar nome às emoções e a construir estratégias saudáveis para atravessar esse período”, explica Miguel.
Entre as principais reações emocionais estão regressões comportamentais, irritabilidade, alterações no sono, insegurança e medo de procedimentos médicos. Em adolescentes, podem surgir sentimentos de isolamento, revolta e preocupação com a própria imagem corporal.
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Para preservar a saúde emocional durante o tratamento, o psicólogo destaca algumas estratégias fundamentais:
- Comunicação clara e adequada à idade: explicar o que está acontecendo de forma honesta e acolhedora reduz fantasias e medos exagerados
- Manutenção de vínculos: sempre que possível, incentivar o contato com amigos, colegas e professores ajuda a preservar a identidade da criança para além da doença
- Espaço para expressão emocional: permitir que a criança fale sobre seus medos e tristezas, ou que os expresse por meio de brincadeiras, desenhos e histórias, é essencial
- Rotina estruturada: mesmo em contexto hospitalar, pequenas previsibilidades trazem sensação de segurança
- Acolhimento da família: pais e responsáveis também precisam de apoio emocional, pois o equilíbrio deles impacta diretamente a criança
“O tratamento oncológico pode ser longo e desafiador, mas não precisa ser vivido apenas sob a perspectiva da dor. Quando a criança se sente ouvida, respeitada e emocionalmente amparada, ela desenvolve recursos internos que fortalecem sua resiliência”, afirma o psicólogo.
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O Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil serve como um alerta não apenas para a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento, mas também para a necessidade de um cuidado integral, que inclua o olhar atento à saúde mental de crianças e adolescentes em tratamento oncológico.