Warning: mkdir(): No space left on device in /www/wwwroot/lugardafinancas.com/zhizhutongji.php on line 51
Não leve tudo a ferro e fogo, desenvolva sua escuta seletiva-lugardafinancas.com
ALESSANDRA ARAGÃO
Alessandra Aragão
Comunicadora, trabalha com desenvolvimento humano, atuando em terapia sistêmica, mentoria positiva e coaching de vida e carreira
RE(INVENTE-SE)

Não leve tudo a ferro e fogo, desenvolva sua escuta seletiva

Talvez o exercício comece por uma pergunta simples: o que, hoje, você está levando a ferro e fogo e poderia apenas ser escutado e deixado passar?

Publicidade

Mais lidas

Vivemos tempos de reatividade ampliada. Tudo parece urgente, pessoal e definitivo. Reagir virou sinônimo de se posicionar, enquanto pausar passou a ser confundido com fraqueza e omissão. A pergunta que se impõe é simples e, ao mesmo tempo, incômoda: por que estamos tão reativos?

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Um xingamento no trânsito, um comentário infeliz no trabalho, uma mensagem curta que chega sem contexto ou um silêncio que dura mais do que o esperado. Em poucos segundos, o corpo reage, a mente responde e o dia muda de tom. Nem sempre percebemos, mas, muitas vezes, não é o acontecimento que nos desorganiza; é a forma como o recebemos.

A sobrecarga emocional ajuda a explicar esse cenário. O excesso de estímulos, o pouco descanso psíquico e uma rotina que raramente permite elaboração fazem com que o sistema emocional opere em estado de alerta. Nesse modo, a escuta se encurta, o julgamento se antecipa e a reação acontece antes da reflexão. O corpo se arma para se proteger, mesmo quando não há ameaça real.


Quando estamos nesse estado, tudo tende a ser vivido como pessoal. Palavras ganham peso excessivo, gestos neutros são interpretados como ataques e silêncios rapidamente se transformam em rejeição. Passamos a reagir não apenas ao que foi dito, mas ao que aquilo desperta internamente.


É nesse ponto que me recordo da expressão “levar tudo a ferro e fogo”. Ferro e fogo simbolizam dureza, confronto e ausência de flexibilidade. Levar tudo a ferro e fogo, ao meu ver, é escutar sem filtro, sem contexto, sem espaço para o meio-termo. É viver como se cada situação exigisse defesa imediata.


No cotidiano, isso aparece de forma clara. Um xingamento no trânsito, vindo de alguém que não conhecemos, costuma ser vivido como um ataque pessoal. A reação é instantânea: o corpo se contrai, a mente responde e a cena se prolonga internamente muito além do momento vivido. Pouco se escuta do conteúdo da fala; muito se reage ao impacto emocional da situação.


O mesmo movimento se repete em reuniões de trabalho, quando um comentário infeliz é sentido como desvalorização profissional; nas relações familiares, em que palavras antigas são reativadas em conversas atuais; em mensagens breves que, sem tom ou intenção clara, ganham significados excessivos; e também nos silêncios, rapidamente preenchidos por suposições, medos e interpretações que dizem mais sobre quem escuta do que sobre quem se cala.


Essas reações não surgem do nada. Muitas vezes, são respostas aprendidas em histórias marcadas por hipervigilância, medo de rejeição ou necessidade constante de correspondência. Não nascem da dureza, mas de um interior que precisou se proteger.


Em “A coragem de não agradar", baseada na Psicologia Adleriana, os autores apontam que grande parte do nosso sofrimento nasce da tentativa constante de corresponder às expectativas alheias. Quando vivemos orientados pelo olhar do outro, qualquer opinião externa ganha um peso desproporcional e a reação passa a ser quase automática.


Talvez o exercício comece por uma pergunta simples: o que, hoje, você está levando a ferro e fogo e poderia apenas ser escutado e deixado passar?


Chamo isso de escuta seletiva. Desenvolvê-la é interromper esse automatismo. Não se trata de ignorar o outro, mas de escolher o que merece nossa atenção. É escutar sem absorver tudo, considerar sem se ferir, ouvir sem transformar cada palavra em verdade absoluta. Nem toda fala pede resposta. Nem toda crítica pede defesa. Nem todo incômodo precisa virar conflito.


A escuta seletiva está diretamente ligada ao fortalecimento do critério interno. Quanto mais clareza temos sobre quem somos e o que sustentamos, menos reativos nos tornamos. A escuta deixa de ser defensiva e passa a ser consciente.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


Não levar tudo a ferro e fogo é preservar a nossa energia emocional. É trazer leveza para a vida.
Algumas palavras pedem presença. Outras, apenas passagem. Saber a diferença muda tudo.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Tópicos relacionados:

clareza emocao escuta sobrecarga

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay