O nome do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, começou a circular com mais força nas conversas sobre a sucessão ao governo de Minas em 2026. A mudança de clima político ganhou contornos simbólicos em um almoço discreto no restaurante Fasano, na capital mineira. À mesa, o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, o ex-deputado federal Rodrigo de Castro e o secretário de Governo da prefeitura, Guilherme Daltro, personagem até então restrito aos bastidores da administração municipal.

O encontro, acompanhado com curiosidade por quem passava pelo salão, foi interpretado por interlocutores como um gesto político carregado de significado. Para alguns, ali se desenhava não apenas uma nova alternativa eleitoral, mas também o “enterro da candidatura do vice-governador Mateus Simões”.

Daltro foi ao almoço representando justamente Damião, que surge como um novo vetor nas negociações. O prefeito deve assumir a presidência da federação PP-União Brasil em Minas assim que a parceria entre os partidos for homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral. A mudança começa pela troca no comando do União no estado: sai o deputado federal Delegado Marcelo de Freitas e entra Rodrigo de Castro. A oficialização da federação virá na sequência.

As conversas não começaram agora. Segundo aliados, as articulações estão em curso desde o ano passado e chegaram a um ponto de fechamento. Como prefeito da capital e figura de maior expressão no campo do União Brasil em Minas, Damião virou peça cobiçada. A interlocutores, ele tem repetido que considera natural esse movimento, por ser o caminho lógico dentro do partido.

A relação com Rueda é descrita por aliados como excelente. O prefeito não participou do almoço no Fasano por causa de compromissos de agenda, mas recebeu o presidente da legenda posteriormente. Com Rodrigo de Castro, a proximidade também é antiga. Foi o ex-deputado quem articulou a entrada de Damião na chapa que elegeu Fuad Noman em Belo Horizonte.

Nos bastidores, integrantes do União Brasil vinham comentando a aliados que a saída do Delegado Marcelo já era cogitada havia algum tempo, inclusive após sondagens do PL. O movimento, no entanto, teria surpreendido o vice-governador Mateus Simões, que contava com a federação União-PP em sua campanha ao governo.

Outro ponto sensível é a disputa pelo Senado. O secretário de Governo de Romeu Zema, Marcelo Aro, nome próximo a Simões, é apontado como pré-candidato e comanda o PP de forma indireta. Ele pode perder espaço caso a federação se aproxime do presidente Lula para lançar o senador Rodrigo Pacheco ao governo. Damião, por sua vez, segue fiel a Lula e tem sinalizado a aliados que o alinhamento com o presidente será um dos eixos da estratégia eleitoral em Minas. Ao mesmo tempo, afirma que Aro terá seu apoio de qualquer forma, independentemente do partido ou do arranjo presidencial.

As declarações chamam atenção, afinal de contas Aro era o nome de Simões ao Senado e poderia largar o colega para manter a candidatura. Outro ponto é que, recentemente, vem circulando o boato de que o secretário poderia substituir Simões na candidatura, algo que foi desmentido pela maioria dos interlocutores, tanto do PSD quanto do União-PP.

Há ainda um componente ideológico na equação. Caso o União Brasil permaneça na aliança de Simões, Damião admite a interlocutores que não tem interesse em subir no mesmo palanque de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nesse cenário, o prefeito poderia se afastar da composição.

Sobre Rodrigo Pacheco candidato, a decisão ainda está nas mãos do senador. Ressentido por não ter sido indicado ao Supremo Tribunal Federal, Pacheco avalia os próximos passos e pode migrar para o União. A leitura é de que uma eventual filiação teria como objetivo a disputa pelo governo.

O momento marca também uma mudança de postura do próprio prefeito. Desde os tempos de vereador, Damião nunca foi conhecido por uma articulação formal. Sempre teve muitos amigos e fez política na base da conversa e das relações pessoais. Agora, ao assumir o comando de uma federação e entrar de vez no tabuleiro estadual, passa a ter papel central na eleição de 2026, com decisões de impacto direto no desenho da disputa em Minas.

 


PT e Azevedos

A tesoureira nacional do PT, Gleide Andrade, está cada vez mais próxima do clã Azevedo, principalmente do prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo. Recentemente, nas redes sociais, ele afirmou que ela é “muito divinopolitana” e faz parte das entregas do governo no Centro-Oeste. Vale lembrar que o grupo político é crítico do presidente Lula (PT) e o senador Cleitinho é cotado para concorrer ao governo de Minas com o apoio do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

 


No Twitter

Durante entrevista ao Estado de Minas, o presidente do PDT, Mário Heringer, brincou que sente medo de ser xingado pelo candidato ao governo de Minas, Alexandre Kalil. A observação foi feita após Kalil responder ao presidente nacional do partido, Carlos Lupi, que havia afirmado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o apoiaria na disputa pelo Palácio Tiradentes. “Eleição é um saco: no meu palanque só sobe quem eu quiser”, disse Kalil.

 


Aluno e professor

Diferentemente do que afirmou o vice-governador Mateus Simões durante o programa EM Entrevista, o vereador Gabriel Azevedo (MDB) não foi aluno dele. Os dois frequentaram a Faculdade Milton Campos no mesmo período, mas não tiveram relação de professor e estudante em sala de aula. A aproximação entre os dois ocorreu posteriormente, no PSDB, partido ao qual Gabriel se filiou em 2005, antes de ingressar na faculdade, em 2006. Interlocutores do vereador tratam a menção como um exagero recorrente do vice-governador ao listar nomes de políticos que teriam sido seus alunos.

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PSOL e REDE

A primeira-dama de Itabira, Raquell Guimarães, vai fazer dobradinha com a deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL) na disputa deste ano. Bella vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e Raquel uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. As duas são amigas de longa data. (Alessandra Mello)

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