Outro dia, amiga compartilhou comigo um post da numeróloga Anah Libório sobre envelhecer. Não tinha nada sobre numerologia, diga-se de passagem. Poeticamente, em forma de parábola, ela fala de como foi chegar aos 70 anos. Começa com uma bela comparação, dizendo que envelhecer é mudar de casa e não de alma. Fala de mudanças, adaptações, expectativas e descobertas. Uma delas, talvez a mais importante, é que a vida continua muito bem aos 70.
Há algumas décadas, uma pessoa de 70 anos era considerada velha, como se estivesse nos últimos momentos da vida. Isso realmente ocorria com muita gente, tanto no aspecto físico quanto no comportamento e na forma de se vestir. Eram verdadeiros senhores e senhoras. A morte chegava para os septuagenários, não é à toa que a expectativa de vida média do brasileiro, segundo o IBGE, era de 72 anos.
Isso já mudou. O último levantamento, de 2024, mostra que a expectativa subiu para 76,6 anos, sendo 79,7 anos para mulheres e 73,1 para homens. Mas percebem que continuamos na casa dos 70? Quando vemos isso, nos perguntamos como é possível, pois ao nosso redor só vemos pessoas partirem aos 88, 94, 96, alguns até com 100 anos e um pouco mais. Pelo visto, são a minoria.
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Anah fala que as pessoas de 70 estão malhando, passeando, dançando, aproveitando a vida. Ou seja, olhando o passado como quem admira uma bela trajetória; olhando para o futuro esperando o que virá, sem pressa, sem ansiedade. Afinal, nessa idade, ansiedade e pressa pra quê? As pessoas de 70 são ativas, cheias de energia. Podemos arriscar dizer que são jovens.
Anah Libório dá algumas regras, ou conselhos de vida, que ela chama de preciosos, e vou transcrevê-los aqui. Tomarei a liberdade de fazer alguns comentários.
Com o primeiro, concordo totalmente: não se meter na vida dos filhos, deixar que eles errem, pois as experiências nos amadurecem. Isso mesmo: a gente aconselha, mas todo mundo aprende mesmo é com os erros.
Não interferir na educação dos netos. Verdade. Pelo que sei, pais educam (o que está cada vez mais raro) e avós deseducam. Aceitar genros e noras porque foram escolhidos pelos corações dos filhos. Devemos aceitar mais por sabedoria de vida e de convivência do que por achar a escolha correta – que me perdoem os que não concordarem. Ficar neutro sobre os casamentos alheios, pois em amor de fora não devemos nos meter. Já diz o ditado: em briga de marido e mulher, não se mete a colher.
Não reclame demais, isso espanta as pessoas. Não é?! Quem aguenta gente reclamando o tempo todo? Mas não se esqueça: se houver problema sério, procure a melhor amiga e desabafe com ela. Amigos são também para esses momentos, não só para alegria.
Não sinta pena de si mesmo, pois ser idoso é privilégio, não é castigo.
Não fique falando da sua época, pois ela já passou, o seu tempo é hoje. Discordo. O que vivemos faz parte da nossa história e lembrar as coisas boas e, às vezes, até algumas ruins nos faz recordar quantas bênçãos recebemos de Deus, o que nos fortaleceu e nos trouxe até aqui. Não queira apagar o passado. O que não pode é só falar dele o tempo todo.
Tenha planos, o amanhã só chega para quem tem desejos, sonhos, objetivos a alcançar. Não vire boletim médico ambulante, ninguém quer ouvir sobre suas dores 24 horas por dia. Verdadeiríssima!
Poupe valores guardados, sinal de sabedoria. Esqueça carnê, idoso paga à vista ou não compra. Devo aprender isso e pôr em prática.
Tenha plano de saúde ou dinheiro guardado, porque doença não avisa. Desligue-se um pouco dos noticiários, o mundo não vai acabar só porque você não viu. Use a TV para rir e não para se irritar.
Adote um bicho, eles preenchem o que faltava sem dizer uma palavra. Mexa-se, caminhe, plante, pinte, invente, ficar parado atrai teia de aranha.
Esteja sempre limpinha e cheirosa – idade sim, mau cheiro, jamais. Nem consigo imaginar o contrário.
Sinta alegria por ainda estar aqui, muitos já ficaram pelo caminho. Faça de sua casa um lugar onde as pessoas queiram estar, isso só depende de você. Use a idade como fonte para novos sonhos e não como escada para lamentações.
Vá embora deixando saudade, e não alívio. Ria muito e faça rir, o riso é o último músculo que deixamos cair. Não guarde aquele vinho especial e nem a cervejinha gelada, amanhã pode ser tarde, ou você pode não ter energia para abrir a garrafa.
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Ficam as dicas. Viva a vida, porque ela não tem replay, como diz uma grande amiga.
