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Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

Até que chegue a hora, se ela não passar

Com a máquina na mão e percebendo as hesitações do senador Cleitinho (Republicanos) e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), Mateus Simões trabalhou

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Quando ao final de seu mandato, naquele julho de 1994, os aliados o pressionavam a se envolver na campanha de Eduardo Azeredo, azarão que enfrentava o favorito Hélio Costa na corrida da sucessão mineira, o então governador Hélio Garcia retrucava: “Campanha e eleição, só depois da parada de Sete de Setembro”.

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Última entre as célebres raposas da política mineira, Hélio Garcia pesava cada palavra quando repetia o bordão aos seus aliados aflitos. E tinha lá os seus motivos: aguardava o correr da campanha para avaliar até que ponto o favoritismo de Hélio Costa era orgânico ou resultado de um recall de sua experiência jornalística internacional.

O governador não pretendia se envolver na campanha de Azeredo se avaliasse que seria uma aposta de antemão perdida. Se percebesse, contudo, que ali havia possibilidade de vitória, Sete de Setembro lhe parecia a data ideal para entrar na campanha.

Sintonizado com os humores do eleitor mediano, Hélio Garcia pregava: as pessoas prestam mais atenção duas semanas antes do pleito. Quando a hora chegasse, o governador ensinava a melhor forma de acionar os prefeitos: telefonava-lhes de madrugada, embalado por um drinque.

O inusitado horário fazia com que se sentissem valorizados. Mais de três décadas depois de uma era sepultada pela internet, ainda há algo de permanente nos ensinamentos da velha raposa. Na política cada ator constrói a sua “sorte” segundo as circunstâncias que se apresentam em seu próprio tempo.

Com a máquina na mão e percebendo as hesitações do senador Cleitinho (Republicanos) e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), Mateus Simões trabalhou para que ambos desistissem, assim unindo, em torno de si, o campo da direita bolsonarista. Cioso de certas limitações da personagem que encarna a sua candidatura, o vice-governador apostou em outra máxima da política: eleição se vence antes das convenções.

A esta altura, segue pontuando mal nas pesquisas, mas já tem o apoio do PL e, tudo indica, conseguirá convencer Cleitinho, que lidera as intenções de voto, a não concorrer. Se confirmada como candidatura única do campo bolsonarista, que se junta ao antipetismo que o orbita, na pior das hipóteses, estará no segundo turno. A depender do quadro eleitoral, poderá ser uma disputa de um só turno.

Em um cenário ainda movediço, há três possíveis candidaturas ao Palácio Tiradentes em oposição ao governo Zema. Espaço junto ao eleitorado para germinar o discurso da oposição, há: a avaliação positiva, regular e negativa ao governo Zema se divide hoje em três grupos de peso similar.

O primeiro a se lançar foi o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT). Com recall e a segunda melhor pontuação nas pesquisas de intenção de voto, percebe a escassez de candidaturas majoritárias, em um novo tempo em que deputados não têm interesse em deixar o parlamento.

Gostaria de ocupar o campo da oposição a Mateus Simões recebendo por gravidade, sem coligação formal, o voto do eleitorado progressista, de esquerda e lulista. Assim aconteceu em 2016 e em 2020, quando se elegeu e se reelegeu para a Prefeitura de Belo Horizonte.

Depois de tentar, sem sucesso, construir a candidatura de Tadeu Martins Leite (MDB), presidente da Assembleia Legislativa, ao governo de Minas, foi a vez do ex-presidente da Câmara Municipal Gabriel Azevedo (MDB) se lançar em novembro de 2025. Penetrou no espaço vazio dessa matéria chamada política.

Nesse ínterim, ainda sem um nome para sustentar o palanque lulista em Minas, estado pêndulo que novamente irá decidir a eleição presidencial deste ano – Lula segue à espera do senador Rodrigo Pacheco (PSD). Nunca lhe prometeu o Supremo Tribunal Federal (STF). Tampouco Pacheco lhe prometeu aceitar os seus insistentes convites para que concorresse.

Embora cada qual tenha diferente noção de timing, ambos concordam: é o momento da conversa. Lula sabe que hoje é favorito à reeleição, em que pese vislumbre uma disputa apertada. Esse é um grande ativo para colocar à mesa. Por seu turno, Rodrigo Pacheco – que foi confrontado politicamente dentro do PSD pela filiação de Mateus Simões – precisa de uma legenda. Será o União Brasil, do prefeito Álvaro Damião o caminho? Tempo, aquilo no qual tudo nasce e perece, diria Aristóteles.

Ser ou não ser?

O presidente Lula (PT) e o senador Rodrigo Pacheco (PSD) já tiveram uma primeira conversa e vão se reunir novamente, ainda este mês, para retomar a pauta. Pacheco não disse sim, mas tampouco disse não. Interlocutores do senador avaliam as condições para que concorra: uma estrutura partidária que lhe permita expandir os apoiamentos para a direita democrática.

Federação

O União é o provável destino de Rodrigo Pacheco. Esse movimento se articularia com a mudança da presidência em Minas. O deputado federal Rodrigo de Castro está cotado para substituir Marcelo de Freitas. Há também expectativa de que Álvaro Damião assuma a presidência da Federação União-PP em Minas Gerais.

Salada partidária

A se configurar esse desenho político, Álvaro Damião apoiaria as candidaturas de Lula, de Rodrigo Pacheco e de Marcelo Aro (PP) ao Senado.

Caudilhesco

O presidente estadual do Cidadania, João Marcelo, é um dos 70 signatários da nota de repúdio do diretório nacional do partido contra decisão da Justiça do Distrito Federal que afastou Comte Bittencourt da presidência nacional da legenda, transferindo o comando a Roberto Freire, autor da ação. A judicialização de Roberto Freire pelo comando da legenda foi considerada “autoritária, caudilhesca e antidemocrática”. Com a medida, Freire tenta impedir a federação do Cidadania com o PSB.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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