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Muitas armadilhas no caminho dos atletas-lugardafinancas.com
Paulo Galvão
Paulo Galvão
Jornalista formado pela PUC Minas
DOIS TOQUES

Muitas armadilhas no caminho dos atletas

O esporte de alto rendimento exige muito sacrifício. Os atletas precisam abdicar de grande parte da vida social desde muito novos

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Em entrevista ao podcast “10 & Faixa”, comandado pelo ex-jogador Diego Ribas, o armador De Arrascaeta fez algumas revelações interessantes. Uma delas foi a que era muito “rebelde” quando chegou ao Cruzeiro, em 2015, ficando irritado por ser colocado na reserva por Vanderlei Luxemburgo, assim como aconteceu no Flamengo de Abel Braga, em 2019.

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Irritado, “avacalhava” jogos-treino do time reserva da Raposa, tentando gols olímpicos quando devia buscar companheiros em cobranças de escanteios ou abusando dos lances individuais quando o correto seria buscar tabelas ou tentar passes e lançamentos. Em determinada atividade, chegou a marcar um gol contra depois de ser cobrado por Dedé.

“Eu olho para trás e fico impressionado com as coisas que fazia”, reconheceu o uruguaio, que diz ter amadurecido bastante para se tornar um dos principais jogadores da América do Sul nos últimos anos.

De Arrascaeta não foi o único nem será o último jovem a colocar a carreira em risco. A inexperiência, a falta de orientação ou os conselhos errados, os falsos amigos, a superexposição, os ganhos acima da média do restante da população, motivos não faltam para desviar as promessas do bom caminho. 

Durante a carreira de jornalista, convivi com inúmeros jogadores talentosos que se perderam pelo caminho. Alguns não suportaram a pressão por resultados. Outros, não conseguiram evoluir tática ou fisicamente. E há aqueles que simplesmente não tiveram comportamento adequado, sendo emprestados pelos grandes clubes à agremiações menores até chegarem a um ponto sem volta na carreira.

O esporte de alto rendimento exige muito sacrifício. Os atletas precisam abdicar de grande parte da vida social desde muito novos para atingir os objetivos. Nem todos se dispõem a isso.

Mesmo os que passam pelo estreito funil da elite precisam se manter atentos. Como ocorreu com De Arrascaeta, podem perder a paciência com a reserva. E em esportes coletivos, respeito à hierarquia é fundamental.

Com o advento das redes sociais a exposição dos atletas, especialmente do futebol, aumentou bastante. Antes, os dirigentes conseguiam “abafar” algumas situações que hoje se tornam públicas com facilidade, mesmo quando não interessam a nenhuma das partes. Para evitar maior prejuízo, os clubes acabam negociando algumas joias antes do desejado e/ou por valores abaixo do que valem. Ruim para todo mundo.

Que os garotos talentosos se conscientizem cada vez mais da chance de ouro que têm em mãos – ou nos pés, no caso dos que praticam o esporte bretão. Sei que não é fácil fugir das tentações, mas é possível se divertir sem abrir mão do profissionalismo. 

Um ano diferente do outro

O futebol prova a cada dia que é um uma “caixinha de surpresa”, como diriam os antigos. Não há fórmula do sucesso. Às vezes, uma equipe vencedora mantém o treinador e a base da equipe, mas não consegue repetir as boas atuações da temporada anterior, como mostra o Flamengo comandado por Filipe Luís neste início de 2026.

Claro que temos de levar em conta que os jogadores rubro-negros estão muito longe da melhor forma física. Mas o time tem errado coisas básicas.

No Cruzeiro, o desafio de Tite é repetir o sucesso obtido por Leonardo Jardim em 2025. Para muitos, como os principais atletas são os mesmos do ano passado e o grupo ainda ganhou o luxuoso reforço de Gerson, seria obrigação, no mínimo, manter o bom desempenho.

Não é tão simples. Os jogadores podem ser os mesmos, mas estão um ano mais velhos. A forma de atuar também foi exaustivamente estudada pelos adversários. E o novo treinador, obviamente, tem conceitos diferentes, que precisam de tempo para serem implementados.

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O problema é a falta de paciência. Inclusive de muitos analistas.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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