Mostra de Cinema de Tiradentes promove encontro de gerações
29ª edição do festival, que começa na sexta (23/1), dá as boas vindas a novos representantes do cinema autoral e exibe curta do veterano Júlio Bressane
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À frente da Mostra de Cinema de Tiradentes desde sua criação, 29 janeiros atrás, Raquel Hallak toma emprestado o discurso de Kleber Mendonça Filho – que dedicou aos “jovens cineastas” o Globo de Ouro de Melhor Filme de Língua Não Inglesa para “O agente secreto” – para falar sobre o evento, que começa na próxima sexta-feira (23/1).
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“Kleber apresentou seu primeiro longa-metragem em Tiradentes, na [mostra] Aurora, que foi criada para uma cena que estava surgindo”, comenta ela, referindo-se ao documentário “Crítico”, lançado em 2008, mesmo ano da estreia da mostra destinada a novos autores que “não tinham oportunidade de exibição”.
A Aurora foi ponta de lança para vários deles – incluindo Gabriel Martins, da Filmes de Plástico, que começou a frequentar Tiradentes na infância, como aluno das oficinas – e também um divisor de águas para o próprio evento, que há 18 anos passou a enfatizar novos autores. “Nosso desafio é sempre acompanhar as transformações do cinema brasileiro, sem perder a identidade, trazendo novidades e permanências”, diz Raquel.
Com o formato já consolidado, o evento chega à 29ª edição justamente entre os dois polos. Abre sua programação celebrando a obra de um dos mais inventivos – ou “difíceis”, como preferem alguns – cineastas brasileiros, Júlio Bressane, que completa 80 anos em 13 de fevereiro. Oferece, ao longo de nove dias de evento, uma gama de curtas e longas de todo o território nacional, muitos deles de nomes estreantes em cinema.
“Produção plural”
Serão 137 filmes (selecionados entre 1,5 mil inscritos), de 23 estados. Quarenta e três são longas e 93 curtas-metragens, divididos em 21 mostras e/ou sessões especiais. “É o único festival que reúne uma produção tão plural. Tanto que, neste ano, trabalhamos com o tema ‘Soberania imaginativa’. Pegando o gancho nessa palavra tão usada na política para mostrar que não há país saudável se não imaginarmos outros mundos possíveis”, aponta Raquel.
Bressane, homenageado na quarta edição da mostra, retorna a Tiradentes para ter sua trajetória celebrada por meio de seu novo filme, que terá a primeira exibição pública nesta semana. Curta-metragem codirigido com Rodrigo Lima, “O Fantasma da Ópera” foi construído com imagens feitas nos intervalos das filmagens de “Pitico”, longa também inédito de Bressane estrelado por Paulo Betti.
A exibição única do filme será na sexta (23/1), no Cine-Tenda, em sessão que também vai celebrar a atriz Karine Teles, a homenageada desta edição de Tiradentes. Ao longo do evento, serão exibidos sete filmes – cinco com ela no elenco, como “Que horas ela volta?”, de Anna Muylart, e dois dirigidos por ela – os curtas “Otimismo” e “Romance”.
“A Karine está em um momento muito interessante: acabou de sair de uma novela das nove (foi a Aldeíde Candeias, de “Vale tudo”), e, ao mesmo tempo, transita pelo cinema independente, autoral e inventivo. Vamos fazer uma homenagem pela pluralidade dela no campo do audiovisual”, explica Raquel.
Convidados
Ainda no primeiro fim de semana da mostra, outro nome que irá a Tiradentes para debater um filme é Miguel Falabella. Ator, escritor e comediante bissexto na direção de cinema, ele exibe no sábado (24/1), no Cine-Praça, “Querido mundo”. Codireção com Hsu Chien, o longa rodado em preto e branco enfoca Elsa (Malu Galli) e Oswaldo (Eduardo Moscovis), que se encontram às vésperas do Ano Novo nos escombros de um prédio abandonado.
Leticia Sabatella está no elenco de “Pequenas criaturas”, de Anne Pinheiro Guimarães, drama protagonizado por Carolina Dieckmann sobre uma mulher que tem que recomeçar a vida em Brasília, logo após o fim da ditadura. Letícia apresenta o longa no domingo (25/1) com Théo Medon, seu colega de elenco, e também debate sua carreira na televisão e no cinema.
Frei Betto irá a Tiradentes para apresentar “A cabeça pensa onde os pés pisam”, o primeiro de quatro documentários que a dupla Evanize Sydow e Américo Freire está realizando em torno de sua vida e obra. A exibição será no sábado (24/1) – no domingo seguinte, ele se reúne ao jornalista Chico Pinheiro para uma conversa sobre memória, palavra e imagem.
Além de olhar para o agora, a mostra traz um foco para a própria história. Em sua terceira edição, a seção Clássicos de Tiradentes exibe um longa e um curta marcantes: “A fuga, a raiva, a dança, a bunda, a boca, a calma, a vida da mulher gorila”, de Felipe Bragança e Marina Meliande, e “Ocidente”, de Leonardo Sette.
Pelo longa, Bragança e Meliande foram os vencedores de 2009 da mostra Aurora. Retornam ao evento, agora no programa Autorias, com o inédito “Uma baleia pode ser dilacerada como uma escola de samba”.
Transmissão via internet
Desde a pandemia, as três mostras – Tiradentes, Ouro Preto e BH – realizadas pela Universo Produção têm uma ênfase grande na exibição on-line. Neste ano, não será diferente. Vários títulos serão exibidos na plataforma do evento (mostratiradentes.com.br). Haverá um programa também na plataforma do
Itaú Cultural. Já os debates, abertura, encerramento e premiação serão transmitidos no canal do
YouTube da Universo.
29ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES
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Da próxima sexta-feira (23/1) a sábado (31/1), na cidade histórica mineira. Programação gratuita. Programação completa disponível no site da Mostra.