Filme brasileiro que compete pelo Urso de Ouro é sátira dos ultra ricos
‘Rosebush Pruning’, de Karim Aïnouz, se propõe a retratar o comportamento de homens tóxicos e tem no elenco astros como Elle Fanning e Callum Turner
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Trinta e três anos após sua estreia no Festival de Berlim com seu primeiro curta-metragem, “Seams”, e 12 após disputar o Urso de Ouro com “Praia do Futuro”, o cearense Karim Aïnouz emplaca novo filme na competição oficial. “Rosebush Pruning”, coprodução entre Alemanha, Espanha, Itália e Reino Unido, é um dos 22 longas selecionados para o principal prêmio da Berlinale, cuja 76ª edição será realizada entre 12 e 22 de fevereiro.
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Rodada numa mansão nas montanhas da Catalunha, a uma hora de Barcelona, o filme é a segunda produção internacional dirigida por Aïnouz. Além dos astros Elle Fanning e Callum Turner, o elenco ainda destaca outros nomes da nova geração – Riley Keough, Jamie Bell e Lukas Gage. Tracy Letts e Pamela Anderson interpretam os pais de uma família riquíssima e disfuncional.
Pela primeira vez, o brasileiro trabalha com o roteirista grego Efthimis Filippou, colaborador de Yorgos Lanthimos, com quem trabalhou em “O lagosta” (2015), “O sacrifício do cervo sagrado” (2017) e “Tipos de gentileza” (2024). Apresentado como uma “ousada sátira contemporânea sobre as contradições da família tradicional”, “Rosebush Pruning” parte de uma investigação do diretor em torno de “personagens masculinos tóxicos”, ele diz.
“É um projeto que começou depois de ‘A vida invisível’ (2019, que deu a ele grande projeção internacional). É um filme sobre personagens femininos e fiquei muito interessado sobre os antagonistas (o pai das protagonistas e o marido de uma delas). Foi daí que veio ‘Firebrand’ (‘O jogo da rainha’, de 2023, sobre a sexta e última mulher do rei Henrique VIII) e depois o empresário branco de ‘Motel Destino’ (2024, personagem de Fábio Assunção)”, conta ele.
Personagens absurdos
“Rosebush Pruning”, desta maneira, fecha a trilogia sobre homens perigosos. “Estava com vontade de trabalhar no tema dos super-ricos, pessoas que acumulam dinheiro e querem morar em Marte. São personagens absurdos, e por isso engraçados, que trabalho por meio da sátira”, acrescenta.
Com um elenco tão variado, o diretor diz que conseguiu criar faíscas. “Todos os atores têm muita personalidade e generosidade. Trabalhamos quase como se fosse um grupo de teatro.” Isolados do mundo, os quatro filhos de um milionário viúvo e cego vivem ensimesmados.
A chegada de duas pessoas à casa desestabiliza a família. E quando o filho mais velho anuncia que vai deixar a todos para morar com a namorada, a situação se agrava. A morte misteriosa da mãe é um dos pontos do confronto, que vai culminar numa espiral de violência.
Aïnouz fala sobre a seleção: “Berlim é um lugar em que não só me sinto em casa porque moro aqui (desde 2008), mas também porque é um festival que aposta no cinema arriscado”. Os trabalhos do diretor também foram exibidos no Festival de Cannes: “A vida invisível” venceu a mostra Um Certo Olhar em 2019, enquanto “O jogo da rainha” e “Motel Destino” estiveram na disputa pela Palma de Ouro em 2023 e 2024, respectivamente.
Novas aventuras
Aïnouz também fala sobre a força da produção brasileira, e dos profissionais de cinema, na atualidade. “O cinema global é muito importante para mim, pois fala de temas que me interessam. É bom viver novas aventuras. Acho que cada vez mais filmes brasileiros vão ter mais participação no cenário internacional, mas também atores e atrizes, e toda uma geração de talentos brasileiros, de montadores, diretores de fotografia. O cinema está precisando da gente, e estamos trazendo algo para a produção global”, afirma.
Em Berlim, o brasileiro enfrentará filmes como “At the sea”, drama do húngaro Kornél Mundruczó estrelado por Amy Adams, “Queen at sea”, com Juliette Binoche, “Rose”, drama de época protagonizado pela estrela alemã Sandra Hüller, “Moscas”, do mexicano Fernando Eimbcke, e “Josephine”, com Channing Tatum.
SELEÇÃO OFICIAL
Confira os filmes que vão disputar o Urso de Ouro
. “At the sea”, de Kornél Mundruczó
. “Dao”, de Alain Gomis
. “Dust”, de Anke Blondé
. “Etwas ganz Besonderes” (“Home stories”), de Eva Trobisch
. “Everybody digs Bill Evans”, de Grant Gee
. “Gelbe Briefe” (“Yellow letters”), de IIker Çatak
. “Josephine”, de Beth de Araújo
. “Kurtulu?” (“Salvation”), de Emin Alper
. “The loneliest man in town”, de Tizza Covi e Rainer Frimmel
. “Meine Frau weint” (“My wife cries”), de Angela Schanelec
. “Moscas”, de Fernando Eimbcke
. “A new dawn”, de Yoshitoshi Shinomiya
. “Nina Roza”, de Genevieve Dulude-de Celles
. “Queen at sea”, de Lance Hammer
. “Rosebush Pruning”, de Karim Aïnouz
. “Rose”, de Markus Schleinzer
. “Soumsoum, la nuit des asters” (“Soumsoum, the night of the stars”), de Mahamat-Saleh Haroun
. “À voix basse” (“In a whisper”), de Leyla Bouzid
. “Wo Men Bu Shi Mo Sheng Ren” (“We are all strangers”), de Anthony Chen
. “Wolfram”, de Warwick Thornton
. “Yo love is a rebellious bird”, de Anna Fitch e Banker White
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. “Yön Lapsi” (“Nightborn”), de Hanna Bergholm