Festival de Berlim terá 10 filmes brasileiros, sendo dois de Minas Gerais
‘Nosso segredo’, de Grace Passô, e ‘Se eu fosse vivo...vivia’, de André Novais Oliveira, competem nas seções Perspectives e Panorama, respectivamente
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O Brasil vai chegar com tudo ao Festival de Berlim. Nove filmes nacionais e uma coprodução participam das mostras paralelas da 76ª edição do evento, de 12 a 22 de fevereiro. Para o cinema mineiro, haverá uma torcida dupla.
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“Se eu fosse vivo...vivia”, de André Novais Oliveira, da Filmes de Plástico, vai participar da mostra Panorama. E “Nosso segredo”, estreia na direção de longas de Grace Passô, foi selecionado para a Perspectives, competição dedicada a primeiros filmes.
“Vai ser um carnaval na neve”, brinca Grace, de 45 anos, que é recorrente nas produções da Filmes de Plástico como atriz – esteve no elenco de dois longas de André Novais Oliveira, “Temporada” e “O dia que te conheci”, além de “No coração do mundo”, de Gabriel e Maurílio Martins.
“Tenho mergulhado na produção do cinema negro brasileiro e a minha experiência com a Filmes de Plástico foi muito importante no sentido da possibilidade de criar dentro da minha comunidade, tanto de referência de identidade como também artístico”, diz ela.
“Reescritura”
Com um curta (“República”) e um média (“Vaga carne”, que participou da mostra Forum Expanded da Berlinale em 2019 e tem codireção com Ricardo Alves Jr.) no currículo, Grace se voltou para a própria trajetória na estreia em longas. “Nosso segredo” é uma “reescritura” de “Amores surdos”, seu primeiro texto para teatro – o espetáculo do grupo Espanca! estreou em 2006.
“Quando surgiu a ideia de dirigir um longa, quis fazer algo que fosse íntimo, que eu conhecesse bastante. A história de ‘Nosso segredo’ não é autobiográfica, mas tem uma inspiração na minha própria infância. É muito comum, nos primeiros trabalhos de cinema, buscar algo que seja nossa fonte”, comenta ela.
A história foi, inclusive, rodada na casa onde Grace viveu sua infância, uma residência no bairro Jardim Inconfidência, na região Noroeste de Belo Horizonte, que ainda hoje pertence à sua família. “Fala sobre os segredos, aquilo que compartilhamos na intimidade afetiva ao longo dos anos, de histórias até antes de a gente nascer.”
No drama, uma família vive o luto pela perda de um parente próximo, que morreu quando estavam construindo a residência. “Desvendar certos segredos é um meio para atravessar a dor”, diz ela.
A mãe, Suely, é interpretada por Ju Colombo, uma das poucas atrizes que não são de BH. O filme conta ainda com nomes como Robert Frank, Efraim Santos, Jéssica Gaspar e Marisa Revert. O músico baiano Mateus Aleluia também está no elenco – “Ele é uma grande força para mim”, afirma a diretora. A cantora Tássia Reis faz sua primeira participação como atriz.
O luto é também o pano de fundo de “Se eu fosse vivo...vivia”, quarto longa de André Novais Oliveira, de 41 anos. “O filme fala do luto da minha mãe, mas a personagem Jacira é uma mescla de várias outras personagens da minha vida e filmografia. Talvez a ideia tenha surgido entre 2019 e 2020”, comenta o diretor e roteirista. Atriz de seus primeiros filmes, dona Zezé, mãe de André, morreu em 2018.
Também ator de seus curtas e longas, o pai de André, Norberto Novais Oliveira, protagoniza o drama, que traz uma estreante ilustre. A escritora Conceição Evaristo faz seu primeiro papel no cinema como Jacira, a mulher de Gilberto. O filme acompanha esse casal que vive junto há quase cinco décadas. “Há muito mais de ficção do que de realidade na história deles. É uma história livre, que fala sobre luto, mas também sobre amor, cotidiano, saúde e envelhecimento”, aponta o diretor.
Segundo André, no e-mail em que confirmou sua participação, Conceição Evaristo disse que aceitava, pois adorava desafios. “Ela abraçou o filme com um jeito especial, se dedicando ao máximo. A atriz Kelly Crifer fez a preparação de elenco do casal, o que foi fundamental. Havia muita conversa nos ensaios e filmagens, e a Conceição ficou cada vez mais à vontade no processo.”
Ainda que a Filmes de Plástico já tenha levado suas produções para outros festivais europeus – Cannes, Locarno e Roterdã entre eles –, esta é a primeira vez que participa da Berlinale. “A gente sempre quis exibir um filme lá e estamos muito felizes e ansiosos com essa estreia. Além do que, a Panorama é uma mostra antiga dentro do festival”, comenta o diretor.
Brasil em Berlim
Confira os títulos nacionais selecionados para a mostra alemã
Mostra Panorama
. “Isabel”, de Gabe Klinger
. “Narciso”, de Marcelo Martinessi (filme paraguaio com coprodução com o Brasil e outros países)
. “Papaya”, de Priscilla Kellen
. “Quatro meninas”, de Karen Suzane
. “Se eu fosse vivo...vivia”, de André Novais Oliveira
Mostra Generation
. “A fabulosa máquina do tempo”, de Eliza Kapai
. “Feito pipa”, de Allan Deberton
Mostra Forum
. “Fiz um foguete imaginando que você vinha”, de Janaína Marques
Mostra Forum Expanded
. “Floresta do fim do mundo”, de Felipe Bragança e Denilson Baniwa
Mostra Perspectives
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. “Nosso segredo”, de Grace Passô