A modelo interpretada por Bella Hadid surta durante um desfile e, em busca de água, começa a atacar pessoas em Paris. Encurralada pela polícia, ela simplesmente explode. A causa da morte? Overdose de The Beauty, a droga milagrosa que dá nome à série cujos três primeiros episódios estão disponíveis na plataforma Disney+.

A produção de “The Beauty: lindos de morrer” é assinada por Matt Hodgson e Ryan Murphy, criador dos sucessos “American horror story” e “Monstros”, além do recente fracasso “Tudo é justo”, estrelado por Kim Kardashian.

No centro da trama, gravada entre Nova York, Roma, Veneza e Paris, está a substância capaz de remodelar completamente o corpo humano, realçando traços e eliminando características consideradas indesejáveis. Ao abordar soluções extremas para cumprir padrões estéticos, a série remete a debates contemporâneos sobre beleza, consumo e identidade.

Cirurgia plástica

Em coletiva de imprensa, o elenco destacou o caráter reflexivo do seriado. “A demanda por Ozempic, Wegovy, Mounjaro e outras drogas cresceu muito. Ao mesmo tempo, há aumento da procura por cirurgia plástica, com pessoas se modificando para alcançar um visual, um sentimento ou uma vibração que acreditam que lhes dará algum tipo de vantagem ou simplesmente as fará felizes”, comentou o ator Ashton Kutcher, que representa A Corporação, criadora da droga milagrosa.

“Você acrescenta a edição genética, que já está acontecendo no mundo, capaz de tornar alguém mais saudável ou de resolver condições, e tudo isso se torna a injeção chamada The Beauty. A pergunta passa a ser: o que você está disposto a sacrificar por isso? Quais riscos você está disposto a correr?”, continuou o ator.

Ashton Kutcher diz que a série surge no momento em que aumenta consideravelmente a demanda por Ozempic, Wegovy e Mounjaro

FX/Divulgação

No caso da série, o problema surge quando as pessoas descobrem ser possível comercializar a droga clandestinamente. Ainda em período de experimentação, a dose pura de The Beauty é exclusiva. Aqueles que a tomam tendem a ter resultados satisfatórios e nenhuma complicação.

Porém, seus efeitos podem ser transmitidos por secreções corporais, dando origem a infecção sexualmente transmissível (IST) em escala global. Por ignorância ou maldade, transmissores contaminam parceiros sem consentimento, enquanto outros passam a comercializar os efeitos da droga por valores mais baixos. Infectados após relações sexuais explodem de forma inexplicável.

A fim de impedir que o produto se banalize, A Corporação recorre ao Assassino (Anthony Ramos), encarregado de eliminar traficantes. Ashton Kutcher se diz incapaz de ver seu personagem como equivocado.

“Aprendi há muito tempo a não julgar o personagem, partindo da perspectiva de que ele acredita fazer a coisa certa. Pensa que vai ajudar as pessoas a viverem vidas melhores, felizes e completas. Se existe versão deturpada da droga machucando pessoas, ele acredita que deve conter isso antes de se tornar um problema maior”, afirmou o ator.

O Assassino, que recebeu a dose e é mais velho do que aparenta, executa ordens sem pudor até cruzar o caminho de Jeremy (Jeremy Pope), jovem que deveria ser eliminado. “O Assassino passa muito tempo sozinho e enxerga espírito semelhante no garoto, que lembra alguém que ele ama. Existe um nível profundo de solidão e vazio na alma ou no coração do Assassino que o jovem acaba preenchendo”, ressaltou Anthony Ramos.

Incel desencantado

Jeremy é incel (sigla em inglês para celibatário involuntário) insatisfeito com sua aparência. Na verdade, ele tem raiva de como o mundo o faz sentir por não se encaixar nos padrões estéticos. Recorre a cirurgias plásticas, mas só se sente realizado quando, sem saber, é infectado e se transforma, o que ocorre logo no primeiro episódio.

A série aposta em cenas fisicamente exigentes para os atores, com lutas e transformações coreografadas por Mark Fichera e Jason Mello, além de improvisos. “Quando Ryan entra na sala, tudo pode mudar, então você não pode estar rigidamente preso a uma ideia física”, disse Jeremy Pope.

“Ele tinha outra visão sobre a minha transformação. Era sobre expressar alguém sentindo o próprio corpo pela primeira vez, a pele, os músculos. Em vez de focar apenas no horror corporal ou na dor, havia a beleza em aprender a se mover e a fazer coisas simples”, contou.

Thriller e sátira

As mudanças de identidade e as consequentes explosões são alvos de investigação internacional. Inicialmente classificadas como atos terroristas, entram na mira do FBI, que designa os agentes Cooper (Eva Peters) e Jordan (Rebecca Hall) para o caso. A dupla mantém relação casual marcada pelo carinho que ambos evitam assumir.

Embora se apresente como thriller, a série também recorre à sátira, elemento característico das produções de Murphy, para ironizar os bilionários e a obsessão contemporânea pela aparência.

“Ryan Murphy tem faro apurado para o espírito do tempo, para aquilo que está em debate agora. Ele torna os temas subversivos, provocativos e ainda mais dignos de discussão”, resume a atriz Rebecca Hall.


“THE BEAUTY: LINDOS DE MORRER”


• Os três primeiros episódios da série estão disponíveis no Disney+. Outros oito serão lançados semanalmente, às quartas-feiras.

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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

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