Pouco depois da divulgação das indicações de “O Agente Secreto” ao Oscar 2026, nesta quinta-feira (22/1), o Porta dos Fundos publicou o vídeo “WAGNER MOURA INGRATO”, que ironiza a ditadura militar como motivação para novos filmes. A cena se passa em um escritório militar e gira em torno de um general indignado com a suposta “ingratidão” de artistas brasileiros — em especial Wagner Moura, indicado ao Oscar de Melhor Ator — por não reconhecerem o “papel” das Forças Armadas em suas carreiras.
“O que que tá acontecendo é que esse Wagner Moura é um mal agradecido do caralho!”, diz o general, interpretado por Fábio Porchat, a um soldado, vivido por Rafael Saraiva. Segundo o chefe, Wagner Moura tem levado vários prêmios, mas nunca agradeceu à ditadura por isso. Vale destacar que “O agente secreto” se passa em 1977, e acompanha Marcelo, pesquisador universitário e cientista que retorna ao Recife em busca do filho. Na capital pernambucana, ele encontra abrigo na casa de Dona Sebastiana (Tânia Maria), que acolhe perseguidos políticos e marginalizados, formando uma rede improvisada de resistência em plena ditadura militar.
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Além de Moura, o vídeo lembra nomes históricos da cultura brasileira que produziram obras contra a ditadura. “Todo artista brasileiro precisa agradecer a gente. Se não fosse meu avô torturando e matando subversivo, o Brasil não tinha um Oscar, não tinha Caetano. Caetano caminhou contra o vento porque o vento tava contra. Se o vento tivesse a favor, o Caetano não tava caminhando... tava na rede tomando água de coco!", argumenta.
"Os artistas brasileiros precisam compreender que a gente mata que é para eles terem assunto. Se não fosse a gente, o 'Cabra Marcado’ não era para morrer, era para marcar um chope. Isso lá rende filme?”, questiona.
Para o general, a ditadura militar, ao perseguir, torturar e matar opositores, queria apenas incentivar a produção cultural no Brasil, mas as Forças Armadas nunca são reconhecidas por por isso. “Pergunta se o MST gerou blockbuster!”, ironiza.
Ao longo do vídeo, os militares se autodeclaram a “maior produtora audiovisual do Brasil”, alegando que inspiraram desde o Tropicalismo até filmes sobre violência policial, como “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”. No entanto, os militares não querem produzir os filmes, porque abririam mão de benefícios que recebem na carreira.
“Você quer perder essa mamatinha gostosa? Eu tenho o meu contracheque, pensão para três filhas, duas gerações que eu cuido... Viagra eu tomo como se fosse Omeprazol”, explica o general ao soldado.
Sobre Fernanda Torres, protagonista de “Ainda Estou Aqui”, que levou o Oscar de Melhor Filme Internacional, o general demonstra frustração por não ter visto um gesto de cumplicidade. “Mas a Fernanda Torres me perdeu ali no Jimmy Kimmel… Porque ela entrou… Não precisava nem ter falado nada. Era só ter entrado, olhado pra plateia e feito um aqui ó”, diz, fazendo uma saudação militar.“O Elon Musk fez (gesto de saudação nazista). Quem entendeu, entendeu. Eu ia pegar. Eu ia saber que era para mim”, completa o personagem.
O vídeo ainda avança para temas recentes, como o 8 de janeiro, tratado como uma tentativa frustrada de gerar material para um futuro documentário que levaria a diretora Petra Costa ao Oscar em 2036. Além disso, o vídeo sugere que o mesmo ocorre em outros países.
"O pessoal não está entendendo que guerra não tem nada a ver com geopolítica. Guerra tem a ver com cinema. O Trump invadiu a Venezuela... Isso é para a retomada do cinema de rua nos Estados Unidos”, sugere.
Indicações de ‘O agente secreto’
O filme de Kleber Mendonça Filho recebeu quatro indicações ao Oscar 2026:
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- Melhor Filme,
- Melhor Filme Internacional,
- Melhor Ator (Wagner Moura)
- Direção de Elenco.
Além disso, o brasileiro Adolpho Veloso foi indicado a Melhor Direção de Fotografia por “Sonhos de Trem”.
