Bad Bunny é a bola da vez. O cantor porto-riquenho, cujo nome de batismo é Benito Antonio Martínez Ocasio, fez história no último domingo (1º/2), ao conquistar a principal categoria do Grammy, a de Álbum do Ano, com “Debí tirar más fotos”, tornando-se o primeiro artista com um trabalho totalmente em espanhol a levar o prêmio. E no próximo domingo (8/2), ele será a atração principal do show de intervalo do Super Bowl, um dos eventos de maior audiência do planeta.


Neste mês – dias 20 e 21 – Bad Bunny traz ao Brasil a turnê de “Debí tirar más fotos”, com shows no Allianz Parque, em São Paulo. No Grammy, ao subir no palco para receber o prêmio, ele fez um discurso de agradecimento, majoritariamente em espanhol, e uma contundente denúncia contra a política anti-imigração do presidente Donald Trump nos Estados Unidos, celebrando a comunidade latina.


“Antes de dizer obrigado, eu quero agradecer a Deus e quero dizer fora ICE”, disse, referindo-se à sigla em inglês para o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, que vem conduzindo violentas operações para a retirada de imigrantes ilegais do país. “Não somos selvagens, não somos animais, não somos extraterrestres. Somos seres humanos e somos americanos”, acrescentou, sob fortes aplausos, destacando que, se for preciso lutar, que seja “com amor”, para combater o ódio.


Antes da fama

Filho de um caminhoneiro e de uma professora, Benito Ocasio nasceu em 10 de março de 1994, em Vega Baja, pequena cidade próxima a San Juan, capital de Porto Rico. Desenvolveu o gosto pelo canto em um coral infantil da igreja local. Antes da fama como ícone do reggaeton, estudou comunicação audiovisual na universidade e trabalhou como empacotador de supermercado. O primeiro aceno do sucesso veio quando as músicas que compunha e compartilhava em sua conta no SoundCloud começaram a se tornar virais.


Bad Bunny foi contratado pela gravadora Hear This Music, de Porto Rico. Seu álbum de estreia, “X 100pre”, foi lançado em 2018 e alcançou a 11ª posição na parada Billboard 200, dos EUA. Em novembro daquele ano, ele já registrava mais de 9 milhões de seguidores no Spotify. Em 2020, lançou dois discos, “YHLQMDLG” e “El último tour del mundo”, que chegou ao topo da Billboard 200 na condição de primeiro álbum totalmente cantado em espanhol a ocupar o posto.


Seu sucessor, “Un verano sin ti” (2022), se tornou o primeiro disco em espanhol a ser indicado ao Grammy na categoria Álbum do Ano. Além da música, Bad Bunny expandiu sua atuação para o cinema e a televisão. Em 2022, participou do filme “Trem bala”, ao lado de Brad Pitt. Em 2023, atuou em “Cassandro”, produção baseada na história real do lutador mexicano Saúl Armendáriz. Ele também integrou o elenco da terceira temporada de “Narcos”, da Netflix, série estrelada pelo brasileiro Wagner Moura no papel de Pablo Escobar.


Causas sociais

Além da postura crítica às políticas de Trump, Bad Bunny também costuma abraçar causas sociais, o que lhe rendeu, por exemplo, em 2023, o prêmio Vanguard, oferecido pela GLAAD, a mais representativa associação pelos direitos LGBTQIA+ dos EUA. Sobre os shows que fará em São Paulo, o artista afirmou, em entrevista às revistas “Vogue Brasil” e “GQ Brasil”, que sonha em conhecer o país desde a infância, quando consumia os produtores que Xuxa lançava para o mercado latino.


Curioso sobre os hábitos locais, ele contou que chegou a anotar sugestões de lugares e comidas típicas e afirmou que não pretende se limitar ao traslado entre palco e hotel, tirando três ou quatro dias para conhecer tudo o que puder. “Quero explorar as cidades, viver experiências musicais, culturais e espirituais”, afirmou. Antes do início da turnê “Debí tirar más fotos”, em novembro do ano passado, ele fez uma residência de três meses em Porto Rico, com shows exclusivos para os moradores da ilha.

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Após a temporada em sua terra natal, Bad Bunny iniciou, em Santo Domingo, na República Dominicana, o giro mundial que deliberadamente não incluiu datas nos Estados Unidos. Segundo o artista, a decisão teve como objetivo evitar que operações do governo Trump contra imigrantes tomassem seus shows como alvos de ações repressivas. No ano passado, ele voltou a ser o artista mais ouvido do Spotify, superando nomes como Taylor Swift e Drake.(Com agências)

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