O nome soa mórbido para um bloco de carnaval: Bloco Fúnebre. Mas, ao escavar as mais diversas camadas interpretativas, surge um significado curioso, e até bonito: a proposta de enterrar as tristezas e ressuscitar as alegrias. Nessa toada, o bloco aposta em “desenterrar” composições antigas, resgatando músicas de fins do século 19, como as de Chiquinha Gonzaga, além de obras de Villa-Lobos e Noel Rosa, como explicam os fundadores do grupo, Léo Duarte e Flávia Ribeiro.

Os dois são os convidados do terceiro episódio da série especial de carnaval do podcast Divirta-se, já disponível no canal de YouTube do Portal Uai e no Spotify. Já passaram pela mesa Di Souza, do Então Brilha!, e Carlos Bolívia com Laura Lopes, do Bloco Cómo te Lhama?.

Com público médio na casa dos 80 mil foliões, o Bloco Fúnebre vai desfilar na sugestiva sexta-feira 13, às 23h59, partindo da Praça da Bandeira em direção à Praça Milton Campos. “No início, a gente percorria sete quilômetros”, diz Léo. “Saíamos da Praça da Bandeira e descíamos até a Praça da Estação. Quando chegávamos em frente ao Palácio da Liberdade, achávamos que já estávamos perto do fim, mas ainda tinha muita coisa para andar. Era desumano”, diverte-se.

O trajeto original durou quatro anos. Foi alterado depois que a prefeitura proibiu os blocos de atravessarem a Avenida do Contorno. Desde então, o desfile segue pela Avenida Afonso Pena, da Praça da Bandeira à Praça Milton Campos, sempre com um tema diferente a cada edição.

‘Sexta-feira 13 – Ô sorte’

Com a coincidência da data neste ano, o tema será “Sexta-feira 13 – Ô sorte”. A escolha é carregada de simbolismo e dialoga diretamente com a trajetória e a filosofia do grupo. O número 13, afinal, se repete três vezes em 2026: o bloco surgiu em 2013, completa 13 anos neste carnaval e vai desfilar no dia 13. “Não tem nada de azar. É sorte mesmo”, garantem os fundadores.

Com bateria formada por 200 integrantes, o Bloco Fúnebre vai desfilar um repertório nostálgico, com canções de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Dolores Duran, Noel Rosa e Villa-Lobos. Para brincar com a estética sombria, entra ainda uma versão de “Fear of the Dark”, do Iron Maiden, no ritmo de marchinha.

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Embora exista um tema para nortear o cortejo, as fantasias são livres. Como o bloco não incentiva o uso de abadás, a identidade visual se constrói a partir da criatividade do folião. “A galera vai muito maquiada. O público investe demais em fantasia. Sempre vemos caveiras mexicanas e referências ao Halloween. Este ano, já estamos esperando a Loura do Bonfim e o Capeta do Vilarinho, personagens de lendas urbanas que trazem esse misticismo”, adianta Léo.

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