Em pleno domingo de carnaval nesta Belo Horizonte que respira blocos, Manu Chao retorna à cidade para única apresentação. Assim como em dezembro de 2024, o músico franco-espanhol faz o show “Ultra acústico”. Desta vez, toca no Rust Music Bar, no Estoril, acompanhado do violonista argentino Matumati e do percussionista espanhol Miguel Rumbao.
O show começa às 23h, mas vale a pena chegar antes (a casa abre às 21h) para o esquenta de Paco Pigalle. Cidadão do mundo radicado em BH desde 1989, o francês nascido no Marrocos é fiel companheiro de Manu. Assim que ele sair de palco, Paco retorna para as picapes para um “after party imprevisível”.
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“Clandestino”, “Welcome to Tijuana”, “Minha galera”, “Bongo bong”, “Me gustas tu” e “Desaparecido”, canções que fizeram de Manu um astro antissistema, estarão no show. Porém, é tudo mais tranquilo desde que ele voltou a se apresentar no início desta década. Seja aqui ou fora, o público costuma não ultrapassar mil pessoas.
Airnb e carro alugado
Tudo o que remete às grandes turnês foi deixado para trás, conta Paco. Não só no aspecto artístico, mas também logístico. Manu, hoje com 64 anos, só se hospeda em apartamentos via Airbnb. Só anda em carros alugados, passa longe de vans. Assim que chega, faz compras de supermercado para que sua hospedagem, na cidade que for, seja o mais próximo de casa.
“Ele faz o próprio café, que é ruim pra caramba. Mas quer ter a sensação de receber (os outros) na casa dele”, conta Paco. Manu chega nesta sexta (13/2) a BH e fica até quarta-feira (18/2). O que irá fazer durante o carnaval, além do show, será definido quando chegar aqui.
Manu Chao veio pela primeira vez a Belo Horizonte em 1992, idade da pedra dos shows internacionais na cidade. Era a figura de frente do Mano Negra (1987-1994), superbanda francesa com influência enorme na world music e nos países hispânicos.
Show histórico
Paco Pigalle, amigo de Manu desde então, estava com ele no show da Eco-92. Saíram do Rio de Janeiro e vieram direto para BH, para a apresentação, hoje histórica, no estacionamento do Minas Shopping. Quem abriu foi uma banda em ascensão na cena local, uma tal de Skank.
Mano Negra seguiu com a carreira, mudou-se para a Espanha. Por volta de 1995, Manu lançou o Radio Bemba Sound System, projeto paralelo que culminou com o fim da banda principal. Retornou a BH em 1996, já em carreira solo.
Do período, além do show na extinta Estação 767, na Avenida dos Andradas, resultou também a parceria com o Skank em três faixas (“Zé Trindade”, “Los pretos” e “Sem terra”) de “O samba poconé” (1996), o álbum mais bem-sucedido da banda mineira.
Veio 1998 e Manu lançou “Clandestino”, este sim um divisor de águas. O músico nômade anticapitalista virou sucesso global. “Ele virou também meio guru da galera que sonhava com um mundo melhor. Viu que tinha caído na mesma armadilha da época do Mano Negra, com estrutura muito grande”, conta Paco Pigalle. E levou muita pedrada.
“Como alguém pode acumular milhões de euros se é contra o capitalismo? Quando você fica muito exposto, apanha”, continua Paco, lembrando que o francês chegou a ser expulso do México “por reclamar dos latifúndios”.
Longe do mainstream
Rompido com as gravadoras, Manu perdeu amigos, resolveu dar um tempo. Viveu alguns anos no Mali, na África. Depois, passou uma temporada fora do radar em Maiorca, na Espanha. “Se escondeu do showbusiness por um cinco anos, sem fazer nada”, diz o amigo.
No início desta década, de acordo com Paco, Manu se sentiu à vontade para voltar aos palcos. À maneira dele, com estrutura mínima, para públicos pequenos e viajando fora dos padrões da indústria.
O cantor e compositor sempre foi reticente em falar com a imprensa – hoje, ainda mais. Nesse novo formato, retornou a BH somente às vésperas do Natal de 2024, para duas noites esgotadas no Galpão 54 e na Autêntica.
Na bagagem, tanto naquela época quanto agora, traz novas canções do álbum “Viva tu” (2024), seu primeiro disco em 17 anos. Entre as 13 faixas, há “São Paulo motoboy”. Em português, Manu canta sobre as agruras de um entregador pelas ruas da metrópole. “Motoqueiro chegar/Antes da chuva cair/ Motoqueiro entregar/ E fugir no ar/ Disparado”. Os tempos são outros, Manu permanece o mesmo. Ainda bem.
“Pigalossauros”
Há sete meses com novo endereço para o bar que leva seu nome (Avenida Francisco Sá, 126, Prado), Paco Pigalle conta que a partir de março pretende dar início a uma noite dedicada aos “pigalossauros”, público que frequentava o espaço nos primórdios, na década de 1990.
A noite “belorizontem” será das 18h à meia-noite. Ele pretende dar início ao projeto na primeira quinta-feira de março. A conferir no Instagram @barpacopigalle
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“MANU CHAO – ULTRA ACÚSTICO”
Show neste domingo (15/2), às 21h, no Rust Music Bar (Avenida Professor Mário Werneck, 50, Estoril). Ingressos a partir de R$ 150, à venda na plataforma Sympla e no local, na hora do evento.
