"Não aguentamos mais": garis fazem paralisação em BH nesta segunda (19/1)
Trabalhadores terceirizados alegam número insuficiente de funcionários e de caminhões, falta de plano de saúde e até cancelamento de férias sem justificativa
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Os garis da empresa Sistema Serviços Urbanos, responsável pela coleta de lixo domiciliar nas regionais Nordeste, Noroeste e Leste de Belo Horizonte fazem paralisação nesta segunda-feira (19/1). Os trabalhadores terceirizados suspenderam as atividades e se reuniram em frente a sede da empresa, no bairro São Gabriel, região Nordeste da capital, protestando por melhores condições de trabalho.
A paralisação teve início por volta das 6h nesta segunda-feira (19/1), alegando falta de condições apropriadas para o trabalho. Os garis afirmam que não há caminhões suficientes para realizar a coleta e que os existentes estão em péssimas condições. Além disso, segundo os trabalhadores, a empresa não faz a manutenção periódica dos caminhões e nem investe em equipamentos de segurança para os trabalhadores.
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Outra reclamação é o número insuficiente tanto de garis quanto de motoristas. Um dos funcionários, Edgar Carlos de Freitas, relatou à reportagem do Estado de Minas que os empregados têm sido forçados a trabalhar com equipes reduzidas, o que seria ilegal “Estamos saindo com três garis nos caminhões, forçados pela empresa. Os encarregados nos forçam a sair com três garis e ameaçam de dar advertência a quem não sair. E essa prática é ilegal, segundo a prefeitura e a SLU, é obrigatório o caminhão sair com 4 garis e um motorista para fazer a coleta” contou.
“Não estamos aguentando. Gera um cansaço físico e emocional sobre nós. E não temos o suporte do sindicato. O sindicato não abraça nossa causa ", completou.
Os garis também reivindicam plano de saúde, direito que não é garantido aos trabalhadores há 12 anos, segundo Edgar. Já os motoristas que, oficialmente, têm direito ao plano, não têm conseguido utilizar o serviço.
Edgar relatou ainda que alguns garis tiveram as férias canceladas pela empresa, sem justificativa. “Desde novembro, minhas férias estavam agendadas para 5 de janeiro. Comprei um pacote de viagem para viajar com a minha família. Adiaram minhas férias para 15 de janeiro. Me mandaram assinar minhas férias no RH em 14 de janeiro e quando eu cheguei lá, falaram que minhas férias estavam canceladas”. Edgar afirmou ainda que outros funcionários com férias programadas para o mesmo período também tiveram as férias canceladas, sem nenhuma explicação.
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Segundo informações passadas pelos grevistas, horas após a paralisação, funcionários que tiveram férias canceladas estão sendo ouvidos e tendo a oportunidade de remarcar o recesso. Além disso, vagas emergenciais foram abertas para suprir o déficit no quadro de funcionários, e o líder da empresa está à caminho de Belo Horizonte para negociar com os manifestantes.
Os garis afirmam que seguirão com a paralisação até que a empresa atenda a todas as reivindicações.
Contactada pela reportagem do Estado de Minas a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), afirmou que “está acompanhando a situação e esclarece que está adimplente com todas as suas obrigações contratuais junto à empresa.”
A Sistema Serviços Urbanos foi procurada, mas não respondeu até o momento da publicação desta matéria.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima