Belo Horizonte foi palco de mais um caso de racismo nesta sexta-feira (30/1). A vítima é o artista e professor Charles Paiva, de 45 anos, que usou as redes sociais para denunciar o caso, ocorrido na loja Peça Rara, no Bairro Anchieta, na Região Centro-Sul da capital. Ele relatou que, enquanto olhava algumas roupas, uma mulher branca ofereceu ajuda. Quando respondeu que estava só dando uma olhada nos produtos, ela disse: "Eu preciso ficar aqui, do seu lado, porque a câmera não pega em você".

Paiva questionou a vendedora, que repetiu: "onde você está, a câmera não pega". Apesar do ato discriminatório, o professor realizou a compra de um dos produtos. Quando estava no caixa, a mesma mulher reapareceu para pedir desculpas.

 
 
 
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Quando ouviu que havia sido racista, ela teria dito que "tem até amigos pretos". Diante da insistência, Paiva respondeu: "Eu não quero continuar esse assunto com a senhora, e peço, por favor, para a senhora repensar a forma como a senhora vem a tratar os clientes aqui da loja, principalmente as pessoas pretas".

No relato, o professor ainda ressalta que as operadoras de caixa, também negras, se solidarizaram com ele e pediram desculpas. "Tomem cuidado; fiquem atentos", alerta Paiva. "Não vamos deixar essas pessoas brancas acharem que nós não podemos entrar nessas lojas; nós podemos, sim, porque lutamos e trabalhamos com honestidade. Pessoas pretas, vidas pretas, importam", conclui.

 

Ao Estado de Minas, Paiva relatou que já foi vítima de racismo em outras ocasiões, mas, agora, decidiu reagir. "Eu sempre me calei e, dessa vez, não quis me calar, porque essa senhora, ela precisa aprender que a gente não pode mais tratar as pessoas pretas como ela me tratou", desabafa.

O artista e professor disse ainda que registrou um Boletim de Ocorrência sobre o caso na tarde desta sexta-feira. Ele espera que a situação pela qual passou sirva para conscientizar sobre o racismo. "Dói muito falar sobre isso; é uma situação muito delicada", pontua.

Outro lado

A loja Peça Rara se manifestou por meio de um comentário na própria postagem do consumidor, que ganhou repercussão. No texto, um dos responsáveis pela empresa pede "sinceras desculpas" e afirma: "abominamos esse tipo de conduta".

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O texto também diz: "cultuamos civilidade e tratamos a todos com respeito, independente da cor da pele". Por fim, o pronunciamento da loja ainda diz que "a colaboradora em tela será orientada e alertada para que fatos como esse não voltem a ocorrer".

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