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Bairro Santa Tereza se mobiliza para criar a Praça Lô Borges em BH-lugardafinancas.com
HOMENAGEM

Bairro Santa Tereza se mobiliza para criar a Praça Lô Borges em BH

O movimento começou a recolher assinaturas da comunidade local nesta semana; a coleta deve ser intensificada durante o carnaval

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Na praça onde Lô Borges passou muitos dias da vida, entre conversas, encontros casuais e música, o movimento agora é outro: moradores, artistas e admiradores se mobilizam para eternizar o nome do compositor em um dos pontos mais simbólicos de Santa Tereza, Região Leste de Belo Horizonte. Pequena, cercada por ruas residenciais e vizinha de um dos bares mais tradicionais do bairro, a Praça Ernesto Tassini pode se tornar oficialmente a Praça Lô Borges.

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Por meio de um abaixo-assinado, a mobilização propõe a mudança do nome do espaço em homenagem ao artista, morto aos 73 anos em decorrência de falência múltipla de órgãos causada por intoxicação medicamentosa. A ideia é transformar a praça em um marco permanente da memória de Lô Borges e do movimento cultural que projetou Minas Gerais para o Brasil e para o mundo. A iniciativa já reúne cerca de duas mil assinaturas e deve servir de base para a apresentação de um projeto de lei na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

 

Reduto histórico da boemia e da criação artística, o bairro Santa Tereza é o berço do Clube da Esquina, movimento fundamental da música popular brasileira, liderado por Lô Borges e Milton Nascimento nos anos 1970.

O cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis é o ponto mais icônico dessa história, imortalizado como lugar de encontro de músicos e amigos. A poucos metros dali está a Praça Ernesto Tassini, com cerca de 225 metros quadrados, no cruzamento das ruas Conselheiro Rocha, Dores do Indaiá e Alvinópolis.

Durante o dia, o espaço costuma ser tranquilo, com pouco movimento. No fim da tarde e à noite, porém, a paisagem muda, especialmente por causa do vizinho famoso, o Bar do Orlando, ponto tradicional de encontro de artistas, moradores e frequentadores do bairro. Foi nessa região que, na década de 1970, Lô Borges, Márcio Borges, Milton Nascimento, Fernando Brant, Toninho Horta, Beto Guedes e Flávio Venturini começaram a construir o movimento que ficaria conhecido como Clube da Esquina.

Mobilização coletiva

A mobilização é puxada por integrantes do Coletivo Alvorada e por moradores do bairro. Segundo o produtor cultural Pedro Martins, um dos coordenadores do coletivo, a ideia dialoga com um projeto mais amplo de revitalização cultural de Santa Tereza.

“A gente já tem um projeto antigo chamado Circuito Gastronômico e Cultural de Santa Tereza, que prevê desde intervenções urbanas até uma espécie de calçada da fama e a Passarela das Artes. Quando o Lô faleceu, no dia da homenagem espontânea que reuniu mais de 12 mil pessoas na esquina, ficou claro para a gente que ele merecia uma homenagem definitiva no bairro”, afirma.

De acordo com Pedro, a escolha da Praça Ernesto Tassini também tem um valor afetivo. “Ela fica ao lado do Bar do Orlando, que era um lugar que o Lô frequentava muito. Ele sempre passava por ali antes de almoçar na casa dos pais. Começamos a conversar com comerciantes, com a associação do bairro, e a ideia foi ganhando corpo”, diz.

O abaixo-assinado, segundo ele, está disponível tanto on-line quanto em pontos físicos do bairro. “Em uma semana, já reunimos cerca de duas mil assinaturas. A nossa expectativa é chegar a pelo menos cinco mil, sendo uma parte significativa de moradores de Santa Tereza”, completa.

A coleta deve ser intensificada durante o carnaval, com ações em blocos ligados ao universo do Clube da Esquina e em bares da região. A ideia é reunir as assinaturas até o início de março e, em seguida, protocolar o pedido na Câmara Municipal.

O vereador Bruno Pedralva (PT) se comprometeu a apresentar o abaixo-assinado e o projeto de lei que propõe a mudança do nome da praça. Segundo ele, a iniciativa partiu do artista Gabriel Guedes, ligado ao Clube da Esquina e ao Coletivo Alvorada, e foi ganhando adesões.

“A proposta se espalhou, chegou à associação comunitária, à família do Lô e ganhou uma dimensão que foi além do bairro. Lô Borges é símbolo de Belo Horizonte, de Santa Tereza e de Minas Gerais. Pelo jeito de viver, de cantar e de ver a vida”, afirma o parlamentar.

Pedralva destaca que, além da homenagem, o projeto dialoga com a valorização urbana e cultural do bairro. “Santa Tereza é, depois da Praça do Papa e da Pampulha, um dos locais mais visitados por turistas em Belo Horizonte, segundo dados da Belotur. A gente quer contribuir para que o bairro tenha mais espaços culturais e infraestrutura adequada, tanto para quem vive ali quanto para quem visita”, diz.

Sobre o trâmite legal, ele explica que o abaixo-assinado acompanha o projeto de lei. “Assim que tivermos um número suficiente de assinaturas, vamos protocolar a proposta na Câmara. A princípio, a coleta vai até o fim de fevereiro.” Segundo o vereador, até agora não houve resistência à mudança. “A adesão está sendo muito bonita, tanto de moradores quanto de fãs do Lô e do Clube da Esquina.”

Para artistas que conviveram com Lô Borges, a homenagem é vista como um gesto natural. O violonista e compositor Celso Adolfo diz que Santa Tereza “sempre foi um lugar de referência para quem vive da arte” e que dar o nome de Lô a uma praça faz com que o espaço “ganhe ainda mais significado” por representar “um reconhecimento natural da história dele no bairro e de tudo o que aconteceu ali com o Clube da Esquina”. Ele também relembra um encontro casual com o músico no bairro e conta que ouvir de Lô que este acompanhava seu jeito de tocar violão foi “inesquecível”.

Gabriel Guedes, artista e integrante do Coletivo Alvorada, reforça que a proposta “vai além da troca de uma placa” e integra ações de revitalização do bairro. Segundo ele, a homenagem reconhece a importância de Lô Borges para a música mineira, brasileira e até mundial e busca ressignificar a praça, que teria “o tamanho e o espírito certos”, destacando Santa Tereza como um bairro “artístico, boêmio e cheio de gente que vive de arte”.

A iniciativa também é vista com bons olhos por Yê Borges, irmão de Lô Borges, que defende a homenagem como um reconhecimento merecido. “Eu acho legal, acho que é bom. O Lô merece”, afirmou. Para ele, a mudança do nome da praça deve partir “das pessoas, da comunidade e dos artistas”, como forma legítima de celebrar a importância do compositor.

Quem foi Lô Borges

Nascido em 1952, em Belo Horizonte, Salomão Borges Filho, conhecido como Lô Borges, foi um dos principais compositores da música brasileira e um dos fundadores do Clube da Esquina, movimento de artistas mineiros surgido nos anos 1960 na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em Santa Tereza.

Aos 20 anos, lançou ao lado de Milton Nascimento o álbum Clube da Esquina (1972), considerado um marco da música brasileira por reunir influências de jazz, rock e da música mineira. No mesmo ano, apresentou o disco solo Lô Borges, cuja capa com os tênis se tornou um dos símbolos de sua trajetória.

Ao longo da carreira, firmou parcerias com nomes como Márcio Borges, Beto Guedes, Fernando Brant, Toninho Horta, Wagner Tiso, Flávio Venturini, Samuel Rosa, Nando Reis e Zeca Baleiro. Entre as canções mais conhecidas estão “Paisagem na Janela”, “O Trem Azul”, “Um Girassol da Cor de Seu Cabelo”, “Para Lennon e McCartney” e “Aos Barões”. 

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Para apoiar a iniciativa, basta assinar o abaixo-assinado, que está disponível tanto em ações presenciais no bairro Santa Tereza quanto pela internet, nos canais divulgados pelos organizadores da mobilização.

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