Principal suspeito de matar Priscilla Azevedo Mundim, o policial penal Rodrigo Caldas, de 45 anos, passou por audiência de oitiva no Fórum Lafayette, no Bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul de BH, nesta segunda-feira (2/2). No interrogatório, o acusado ficou em silêncio. Também foram ouvidas oito testemunhas, sete de acusação e uma de defesa. Priscilla, de 46 anos, foi morta em 16 de agosto do ano passado.
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Na audiência, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri Sumariante de Belo Horizonte, suspendeu o processo até que o réu passe por exame de sanidade mental, que está agendado para agosto deste ano, quando completará um ano desde o crime. Rodrigo está preso preventivamente e foi indiciado por feminicídio em setembro do ano passado.
Na tarde desta segunda-feira (2/2), pessoas se reuniram em frente ao Fórum para protestar por justiça para Priscilla. Os manifestantes utilizaram camisetas com o rosto da vítima e fizeram cartazes. Em uma das faixas, foi escrito: “Priscilla Azevedo Mundim não será esquecida, pela memória dela exigimos justiça!".
Relembre o crime
Priscilla foi encontrada morta no apartamento de Rodrigo Caldas no Bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste de Belo Horizonte. No dia do crime, o autor foi encontrado ao lado do corpo da namorada segurando uma faca, com a blusa suja de sangue e dizendo que iria se matar. O suspeito foi socorrido com um corte na região do abdômen e encaminhado ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na Região Centro-Sul da capital mineira.
Durante as investigações, a perícia revelou que Priscilla foi morta estrangulada e teve lesões de pancada no tórax, rosto, pernas e braço. A causa da morte por facada foi descartada.
À época, parentes de Priscilla relataram que ela tentou se separar, mas o namorado, com quem estava havia cinco meses, não aceitou. Também descreveram Rodrigo como possessivo. De acordo com investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), no dia 14 de agosto, a mulher decidiu terminar o relacionamento após constatar o comportamento perigoso do suspeito, mas voltou a encontrá-lo no dia seguinte.
À imprensa, o cunhado de Priscilla, Leonardo Alves de Souza, contou que a vítima e o namorado estiveram em uma confraternização em família na noite de sexta-feira (15/8) e, às 22h, foram embora. Naquela noite, os familiares tentaram contato para saber se o casal chegou bem em casa, mas não tiveram resposta.
Na manhã do dia seguinte (16/8), Leonardo e a esposa, Fabíola Mundim, irmã da vítima, continuaram sem notícias de Priscilla e decidiram ir até a casa de Rodrigo para procurar pela auxiliar administrativa. Quando estavam em frente ao apartamento do policial penal, conseguiram contato com ele. Em ligação com Leonardo, Rodrigo confessou que “fez merda” e pediu para que o cunhado de Priscilla chamasse a Polícia Militar.
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Feminicídio
Em setembro do ano passado, Rodrigo Caldas foi indiciado por feminicídio. Ele está preso preventivamente. No anúncio da conclusão do inquérito sobre o caso, a delegada Iara França, do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção a Pessoa (Dhpp), relatou que familiares e amigos de Priscilla perceberam que o policial penal monitorava e exigia detalhes sobre os deslocamentos e as redes sociais da vítima. “A experiência mostra que esse tipo de agressor busca exercer controle absoluto sobre a vítima, muitas vezes por meios psicológicos e digitais, sem que haja agressão física prévia”, afirmou a delegada à época.
