A médica neurologista Claúdia Soares Alves, de 42 anos, apontada como mandante da morte da farmacêutica Renata Bocatto Derani, em 2020, virou ré por homicídio qualificado. A denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foi aceita pela 5ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, em 29 de janeiro. A acusada ficou conhecida por raptar um bebê recém nascido do Hospital das Clínicas de Uberlândia, em 2024.
No atentado contra a farmacêutica, a vítima foi alvejada na porta do trabalho depois de receber uma falsa encomenda, com um pênis de borracha. Cláudia foi indiciada por homicídio qualificado - por motivo torpe, pagamento e emboscada -, uso de documento falso, fraude processual e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.
Leia Mais
Além da médica, um homem, identificado como Paulo Roberto Gomes da Silva também se tornou réu pela morte de Renata. Ele seria o executor do crime e também foi denunciado pelo MPMG por adulteração de veículo. Os dois estão presos desde 5 de novembro de 2025 quando foram alvos de um mandado de detenção temporária convertida em preventiva.
“Há provas das materialidades dos fatos e indícios suficientes das autorias atribuídas aos acusados. O fato é grave, homicídio qualificado, considerado crime hediondo, em relação a ambos os acusados [...] evidenciando o risco social gerado por seus estados de liberdade”, argumentou o juiz Dimas Borges de Paula, em sua decisão.
No último dezembro, a médica teve um pedido de habeas corpus negado. Na época, o desembargador Jaubert Carneiro Jaques, relator do processo, afirmou que a liberdade preventiva é cabível quando a prisão foi ilegal ou com abuso de poder. O que, até então, não havia indícios.
“Em uma análise sumária do processo, constata-se que a decisão que impôs a segregação cautelar da paciente está, aparentemente, embasada em elementos objetivos do caso, aliados aos pressupostos e requisitos da medida extrema”, afirmou o desembargador.
Como foi o homicídio da farmacêutica?
As investigações mostraram que, antes de Renata ser morta, a neurologista se envolveu com seu ex-marido. O casal tinha uma filha e, segundo o delegado Eduardo Leal, a médica teria tentado tirar o poder familiar da farmacêutica para assumir a maternidade da criança.
Nessa época, ainda conforme o responsável pelo inquérito, a vítima proibiu que pai tivesse acesso a filha, enquanto estivesse com Cláudia. Além disso, a investigada teria participado da preparação e da execução do crime, em parceria com dois homens. A dupla, apontada como executora, foi presa no início de novembro, em Itumbiara (GO).
Sequestro de bebê
Em 6 de agosto de 2024, Cláudia Soares Alves foi indiciada por tráfico de pessoas e falsidade ideológica no inquérito que apurou o sequestro de uma recém-nascida na maternidade do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia. O crime aconteceu na noite de 22 de julho do mesmo ano. A neurologista foi presa, horas depois, em Itumbiara (GO), com a criança.
No dia do sequestro, Cláudia usou o crachá para entrar no hospital se passando por funcionária. Ela foi até a maternidade e abordou um casal, se apresentando como pediatra e examinou a mãe e a recém nascida. Na sequência, a mulher afirmou que levaria a bebê para ser amamentada, mas não voltou.
A mulher usou um Toyota Corolla vermelho para dirigir por 134 km e levar a criança para Itumbiara, Goias
A criança foi colocada dentro de uma mochila e, de carro, levada para Itumbiara, cerca de 134 quilômetros de Uberlândia. Imagens de câmeras de segurança ajudaram na localização da médica.
O que mostrou a investigação?
Na época, as investigações mostraram que o crime foi premeditado e que a indiciada tinha preparado um cômodo de sua casa para receber a bebê. “Lá encontramos um enxoval, carrinho de bebê, fraldas e leite”, explicou o delegado Carlos Fernandes, responsável pelo inquérito.
Além disso, no imóvel havia um bebê reborn, em um berço. Inicialmente, a médica foi autuada por sequestro qualificado. Mas, ao longo das investigações novas evidências apontaram para outros crimes.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Cláudia Soares foi presa preventivamente em um presídio em Goiás. Seu advogado alega que a médica sofre de transtornos mentais e que faz tratamento. Ainda segundo a defesa, no dia do sequestro, ela teria sofrido um surto psicótico por não ter tomado a medicação. Conforme a legislação brasileira, a pena por tráfico de pessoas pode chegar a oito anos de prisão e por falsidade ideológica, a cinco.
