Matteos França Campos, de 32 anos, que confessou ter assassinado a própria mãe, a professora Soraya Tatiana Bonfim França, então com 56 anos, em julho de 2025, irá a júri popular. O suspeito responderá por homicídio qualificado por emprego de asfixia, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, motivo torpe e feminicídio, além de ocultação de cadáver e fraude processual. 

Além disso, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, responsável pela decisão, negou um pedido feito pela defesa para que Matteos aguarde o julgamento em liberdade. Outras alegações feitas pelos advogados, de que o suspeito sofreria de insanidade mental e que o depoimento testemunhal de um policial civil seria falso também não foram acolhidas pela Justiça.

Com o pronunciamento do caso - ou seja, o encaminhando o processo para o Tribunal do Júri -, Matteos aguarda a marcação de uma data para o julgamento. Ele está detido no presídio de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Relembre o caso

Em 20 de julho do ano passado, um domingo, o corpo de Soraya Tatiana Bonfim França, de 56 anos, foi encontrado seminu, apenas com a parte de cima da roupa, e coberto com um lençol, embaixo de um viaduto em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

No dia anterior, sábado (19/7), Matteos já havia registrado um Boletim de Ocorrência, no qual formalizava o desaparecimento da mãe. Ele também teria dito a amigos e parentes que a genitora havia desaparecido, em uma tentativa, segundo a investigação da Polícia Civil de Minas Gerais, de se desvencilhar do caso.

Matteos foi preso em 25 de julho, pelo o assassinato de Soraya Tatiana. Ele acabou confessando o crime. Soraya Tatiana lecionava história no Colégio Santa Marcelina, na Região da Pampulha, na capital mineira, e recebeu, na época, várias homenagens de alunos e professores. 

Motivação

Em depoimento no dia da prisão, Matteos alegou estar em colapso financeiro por empréstimos e dívidas com apostas online e que cometeu o crime em um suposto momento de surto. Com a conclusão do inquérito, a delegada disse que as investigações confirmaram a motivação do crime. 

O filho da professora tinha uma dívida de aproximadamente R$ 200 mil. Grande parte dessa dívida era decorrente de apostas, mas também de empréstimos que Matteos contraiu com instituições financeiras. “Investigações e testemunhas apontam que ele achava que a mãe teria obrigação de dar a ele uma vida mais confortável, melhor e que, como mãe dele, teria que arcar com essas despesas”, afirmou a delegada.

Soraya Tatiana tinha um seguro de vida e uma previdência privada. O filho não declarou, nos depoimentos, que vislumbrava essas quantias ao cometer o crime, mas a delegada não descarta a possibilidade. Por causa dessa situação, a professora começou a apresentar quadro depressivo e confidenciou a amigos que o filho a estaria tratando de forma mais grosseira.

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Poucos minutos antes de morrer, ela fez uma ligação para uma instituição financeira, com duração de cerca de 45 minutos, provavelmente para tentar renegociar as dívidas. Em seguida, eles iniciaram uma discussão rápida. “Ele já partiu para a execução da morte com um golpe de mata-leão. Cerca de uma hora depois, retirou o corpo da residência.”   

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