O bloco mais antigo de Belo Horizonte, Leão da Lagoinha, vai coroar neste sábado (7/2) a rainha plus Ismênia Santusa, de 48 anos, e a rainha trans Michelle Xavier, de 41 anos. O evento será realizado às 14h no Centro Cultural Nosso Grito, localizado na Rua Roseiral, 13, Bairro Santo André.
De acordo com a agremiação, a ideia de coroar as rainhas é celebrar a diversidade, combater a transfobia e transformar o carnaval em palco de resistência e empoderamento. A diretoria destaca que ter rainhas de diferentes perfis serve como exemplo para outros blocos.
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Ismênia Santusa representou Minas Gerais e ganhou o concurso Miss Plus Size Nacional na categoria master (voltada para candidatas com mais de 40 anos), que ocorreu no Rio de Janeiro em 2024. Ela iniciou sua trajetória de forma efetiva no samba com o projeto Passista BH, que hoje é um outro bloco do carnaval de rua belo-horizontino. A miss destaca a importância do espaço disponibilizado a ela pelo Leão da Lagoinha e o papel de vanguarda nas lutas históricas feitas pelo bloco.
“O bloco Leão da Lagoinha está fazendo história novamente. A minha participação, uma mulher gorda como rainha”, diz. “Essa é para quebrar paradigmas, que independente do peso da pessoa, do gênero, da classe, é possível sim estar presente no carnaval e desfilar em uma posição de destaque de um bloco”, afirma Santusa.
Essa luta histórica, feita pela agremiação, é citada também por Michelle Xavier. A rainha trans iniciou sua trajetória no carnaval no Bloco Caricato Os Aflitos do Anchieta em 2023 e desde então não saiu mais. Ela faz parte do Bloco Beagá Trans, agremiação que desfilou no dia 31/1. O convite para desfilar pelo Leão da Lagoinha surgiu após o diálogo com o presidente Jairo Nascimento.
“Costumo frequentar a Pedreira Padre Lopes, na Lagoinha, e participei de alguns eventos do Leão da Lagoinha. A partir de diálogos com a diretoria, surgiu o convite para desfilar”, diz. “Eu estou amando fazer parte dessa família Leão da Lagoinha”, afirma Michelle.
Ela enfatiza a importância da abertura desse espaço para a comunidade trans, que em muitos momentos tem receio de não ser bem acolhida. Ainda segundo ela, estar nesses lugares possibilita que haja o processo de inclusão de pessoas trans, que são costumeiramente discriminadas.
“Eu falo que o Carnaval é um ato cultural e político”, diz. “Eu estou indo e espero abrir caminhos para outras meninas trans que têm vontade de ser musa, de ser rainha”, destaca a rainha.
Tema do desfile
O bloco Leão da Lagoinha foi fundado em 1947, sendo a agremiação mais antiga de Belo Horizonte. Neste ano, eles levaram Iemanjá para a avenida, orixá que teve seu dia celebrado na última segunda-feira (2/2). A festa celebra a fé, a generosidade e o sincretismo religioso.
Iemanjá tem origem no idioma africano iorubá. É reverenciada tanto no candomblé quanto na umbanda. Ela é considerada dona das águas e mãe de todos os orixás, responsável por cuidar das cabeças e do coração de quem a cultua. Ela também é conhecida por sua generosidade. Com origem às margens do rio Yemonja, na Nigéria, a divindade recebeu o título de deusa dos mares quando chegou em terras brasileiras junto com os negros escravizados.
No sincretismo religioso, a dona das águas é conhecida no catolicismo como Nossa Senhora dos Navegantes.
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O Bloco Leão da Lagoinha tem tradição de homenagear os orixás. Em 2023, realizou homenagem para Zé Pelintra; em 2024, para Ogum; e em 2025, para Cosme e Damião.
