Na tarde desta quinta-feira (12/2), trabalhadores de limpeza urbana se reuniram na Praça da Liberdade, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de BH, para celebrar o carnaval e homenagear Laudemir de Souza, gari morto em 2025. Renê da Silva Nogueira, acusado do assassinato, está detido no Presídio de Caeté, na Grande BH. 

O cortejo do Bloco da Limpeza reuniu os trabalhadores da limpeza urbana com marchinhas de carnaval e gritos por justiça pela morte do companheiro de profissão. Foram distribuídas asas de anjo aos coletores de resíduos. Além disso, um boneco, com pouco mais de 2 metros de altura, também com asas de anjo, homenageou Laudemir. Nessa quarta-feira (11/2) completou 6 meses da morte do gari.

No Bloco da Limpeza, imperou o clima de alegria, celebração e esperança, principalmente para que  a classe seja reconhecida e respeitada nas ruas da capital mineira. 

Jeferson Costa, gari e amigo de Laudemir, relembra a parceria e pede justiça pelo colega. “Estamos aqui para celebrar a profissão e que ela seja mais valorizada no Brasil”, diz. “Mesmo que o tempo passe, a dor continua. Estamos aqui pedindo por justiça e que isso nunca mais aconteça no Brasil”, afirma.

Os familiares não estiveram presentes no evento. De acordo com a organização do bloco, o convite chegou a ser feito à mulher de Laudemir. Ela ficou feliz com a homenagem, mas a dor da perda impediu que comparecesse ao cortejo.

Uma novidade divulgada no decorrer do bloco é uma mochila que armazena água e permite que os trabalhadores consigam se manter hidratados durante o expediente. A bolsa térmica tem capacidade para 2 litros e é inspirada nos modelos produzidos para corredores.

Boneco

Um boneco de pouco mais de 2 metros de altura, com asas nas costas, foi usado para homenagear Laudemir de Souza. O gari Carlos Gomes foi o responsável por carregar a fantasia durante o cortejo. Ele não chegou a conhecer o homenageado, mas engrossa o coro dos que cobram mais respeito com a categoria.

"Nós passamos muito despercebidos e ninguém enxerga a gente", diz. "Poderia ter sido qualquer um de nós, pois passamos por situações de menosprezo e preconceito. Jogam lixo no chão e nos dizem que é nossa obrigação limpar", finaliza Gomes.

Relembre o crime

O gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto com um tiro no abdômen no momento em que realizava a coleta de lixo no Bairro Vista Alegre, Região Oeste de BH, em 11 de agosto do ano passado. O tiro teria sido disparado por Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47, com a arma da esposa dele, a delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Ana Paula Lamego Balbino.

No dia do homicídio, Renê teria se irritado com o caminhão de lixo que transitava à sua frente e, de acordo com a investigação da PCMG, chegou a ameaçar a motorista do veículo de coleta, Eledias Aparecida Rodrigues. Após o tiro que matou Laudemir ter sido disparado, Renê seguiu normalmente a rotina: foi para o trabalho, para casa e, em seguida, para a academia, onde foi preso em flagrante pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).

Renê se tornou réu em 15 de setembro, quando a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e responde por quatro crimes – ameaça, porte ilegal de arma de fogo, fraude processual e homicídio qualificado. Já Ana Paula Lamego Balbino foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo, por ter cedido a arma ao marido, e por prevaricação.

  

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Como aconteceu?

  • Equipe de coleta de lixo trabalhava na Rua Modestina de Souza, Bairro Vista Alegre, em BH, na manhã do dia 11/8/2025.
  • Motorista do caminhão, Eledias Aparecida Rodrigues, 42 anos, manobra para liberar passagem, após ver uma fila de carros se formar atrás dela.
  • Eledias e os garis acenam para Renê da Silva, que dirigia um carro BYD, permitindo a passagem.
  • O suspeito abaixa a janela e grita que, caso encostasse em seu veículo, ele iria "dar um tiro na cara" da condutora.
  • Na sequência, ele segue adiante, estaciona, sai do carro armado; derruba o carregador, recolhe e engatilha pistola, segundo o registro policial.
  • Ele faz um disparo que atinge Laudemir no abdômen.
  • O gari é levado ao Hospital Santa Rita, em Contagem, na Grande BH, mas morre por hemorragia interna.
  • No local, a PM recolhe projétil intacto de munição calibre .380.
  • Horas após o crime, a PM localiza e prende Renê no estacionamento de uma academia na Avenida Raja Gabaglia.
  • Flagrante convertido em prisão preventiva em audiência de custódia, em 13 de agosto de 2025, a pedido do Ministério Público de Minas Gerais.
  • Renê está preso no Presídio de Caeté, na Grande BH. (Com informações de Clara Mariz)

* Estagiário sob supervisão da subeditora Tetê Monteiro

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