Internautas indignados com a morte do cão comunitário Orelha, que foi agredido na Praia Brava, em Florianópolis (SC), pedem a federalização das investigações do caso. A tag “FEDERALIZAÇÃO DO CASO ORELHA" está entre os assuntos mais comentados nas redes sociais desde o fim de semana, mesmo concorrendo com assuntos como o Grammy, na noite de domingo (1º/2). 

O caso ocorreu no dia 4 de janeiro de 2026. Orelha, um cachorro comunitário de cerca de 10 anos, cuidado por moradores da região, foi agredido por adolescentes e encontrado gravemente ferido, sendo posteriormente submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. O caso gerou protestos em diversas cidades brasileiras e ampla mobilização online, com cobranças por punição e transparência nas investigações.

Em coletiva de imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, destacou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê a internação de menores infratores apenas como medida socioeducativa excepcional, com prazo máximo de até três anos. Segundo ele, essa medida só pode ser aplicada em casos de violência ou grave ameaça contra pessoas, o que não inclui crimes contra animais.

Até o momento, não houve aplicação de medidas socioeducativas contra os adolescentes investigados. As apurações continuam em andamento e incluem mandados de busca, apreensão e oitivas de testemunhas.

As investigações também apontaram suspeitas de tentativa de interferência no caso. Três adultos — familiares de adolescentes investigados — chegaram a ser indiciados por suspeita de coagir testemunhas, segundo a Polícia Civil.

De acordo com as investigações, dois dos adolescentes envolvidos teriam viajado para a Disney após o ocorrido. Com o retorno ao Brasil, houve apreensão de roupas e celulares, mas nenhuma medida socioeducativa foi aplicada até o momento.

Federalização

A ausência de punições ampliou a indignação popular e fez o caso ganhar ainda mais visibilidade nas últimas semanas.Entre os comentários publicados nas redes sociais, usuários defendem que apenas a federalização poderia trazer mudanças efetivas e evitar impunidade. Também aparecem relatos de sensação de impotência entre defensores da causa animal.

“Nós (que amamos animais e defendemos eles com unha e dente) estamos vivendo os piores dias de 2026. um ser como esse ainda é capaz de respirar o mesmo ar que a gente. Chega”, desabafou um perfil. 

“A vontade que estou é de chorar, porque nesse país todo mundo é comprado. Basta de injustiça. Esses bandidos têm que pagar”, escreveu outro.

“Acho que o pior de todo esse caso Orelha é ver cada vez mais casos de crimes contra animais vindo à tona. É tudo muito pesado, mas a gente não pode parar enquanto as coisas não mudarem e enquanto a lei não for mais rígida com casos contra animais. #JustiçaPorOrelha. Federalização do caso Orelha”, pediu um terceiro.

Veja mais posts:

Também circula uma petição pública solicitando a entrada da Polícia Federal nas investigações e o acompanhamento da Justiça Federal, sob alegação de necessidade de imparcialidade e apuração de possíveis crimes cometidos em ambiente digital. Criada na noite de domingo, já são mais de 300 assinaturas.

O que é a federalização e por que ela é pedida

Nas redes sociais e em atos públicos, usuários passaram a pedir a federalização do caso. Na prática, isso significa o pedido para que o caso passe a ser investigado ou julgado na esfera federal, com possível atuação direta da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça Federal.

Especialistas dizem que, em regra, a competência para julgamento é da Justiça Estadual, pois o crime ocorreu em território catarinense e, inicialmente, não há vínculo direto com a União. No entanto, a Constituição prevê exceções, como em casos de grave violação de direitos humanos, que podem justificar deslocamento de competência para a Justiça Federal. 

Além disso, o deslocamento pode ocorrer quando há violação de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário, o que poderia gerar interesse da União. Especialistas também dizem que parte da mobilização pela federalização está ligada à desconfiança de setores da sociedade sobre a condução das investigações e a possíveis tentativas de interferência externa.

De acordo com alguns juristas, em uma interpretação mais restrita, crimes contra animais não configurariam violação direta de direitos humanos.

Por outro lado, outros especialistas dizem que existe uma interpretação mais ampla, considerando que maus-tratos a animais são enquadrados como crimes ambientais e que o meio ambiente é protegido constitucionalmente como direito fundamental, o que poderia abrir espaço para discussão sobre competência federal.

Dessa forma, a federalização depende de pedido formal e análise do Judiciário, podendo haver argumentos jurídicos tanto para manter o caso na Justiça Estadual quanto para eventual deslocamento.

Relembre o caso

O cão comunitário Orelha morreu no dia 5 de janeiro de 2026 após ser brutalmente agredido. O animal, conhecido e cuidado por moradores da região há cerca de 10 anos, ainda foi socorrido e levado para atendimento veterinário, mas morreu durante as tentativas de salvamento.

Laudos indicaram lesão contundente na cabeça causada por objeto como pedaço de madeira ou garrafa. No final de semana, manifestações por justiça foram registradas em diversas cidades brasileiras, incluindo capitais e municípios do interior. A mobilização também ultrapassou o país, com homenagens e manifestações simbólicas no exterior, refletindo a repercussão global do caso.

Além disso, o episódio passou a gerar efeitos econômicos e institucionais, como reações no setor turístico e posicionamentos públicos de autoridades e figuras públicas.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Se o motorista perceber que existe um animal solto na estrada, pode seguir adiante, mas deve pedir que um ocupante do veículo ligue para informar às autoridades qual é o bicho e onde ele se encontra (em que km aproximado da estrada) Reprodução TV Globo
Em caso de atropelamento, o correto é parar no acostamento e chamar por socorro. Em hipótese alguma a pessoa deve tocar no animal. Reprodução TV Globo
A Polícia Rodoviária Federal orienta que os motoristas devem ter atenção na pista para evitar atropelamento de animais e observar se há bichos andando pela pista ou à beira da estrada. Reprodução TV Globo
o que aconteceu com esta onça parda, resgatada na Rodovia João Melão. Depois de se recuperar, ela recebeu um chip de rastreamento e foi solta numa reserva natural em Avaré. Reprodução TV Globo
O objetivo é reabilitá-los para que possam voltar à natureza depois do tratamento. Isso só não é feito se o animal não tiver condições de ser reintegrado ao habitat. Reprodução TV Globo
Os veterinários dizem que os animais recebem tratamento clínico e, se necessário, também cirúrgico. Eles também fazem exames complementares, como raio-X e ultrassom, para verificação do estado de saúde dos bichos. Reprodução TV Globo
Gatos do mato, veados e até cobras também estão entre as espécies que já foram resgatadas. Reprodução TV Globo
No Cempas, eles recebem alimentação, tratamento veterinário e se refrescam nos dias de calor mais forte Reprodução TV Globo
Este tamanduá-bandeira chegou ao viveiro ainda filhote depois que a mãe morreu atropelada. Reprodução TV Globo
Recentemente, um gambá foi atropelado na Rodovia Castelo Branco e socorrido. Ele recebeu todos os cuidados necessários no Cempas. Reprodução TV Globo
A pessoa também pode ligar para a concessionária CCR Vias SP: 0800 703 5030. Ou para a Polícia Rodoviária Federal: 191. reprodução tv globo
Guarda Civil Municipal (199), Vigilância Ambiental em Saúde (Botucatu 14 3811-1609), Bombeiros (193) ou Polícia Militar Ambiental (150 ou 14 3882-6070). Guilmann wikimedia commons
O Cempas esclarece que não recolhe os animais. É preciso que a pessoa ligue para autoridades. Veja a lista de telefones úteis para os casos de emergência. Reprodução TV Globo
Os bichos são levados para o Cempas - Centro de Medicina de Pesquisa em Animais Silvestres - que pertence à Unesp (Universidade Estadual Paulista) , em Botucatu. Reprodução TV Globo
Os agentes da CCR recebem capacitação técnica das equipes, para que saibam lidar com os animais e fazer o resgate da forma correta, durante as inspeções. Reprodução TV Globo
A concessionária mantém uma sala de controle com monitores que mostram trechos de rodovias pata monitoramento. Assim, consegue perceber animais na pista. Reprodução TV Globo
Desde 2023 a concessionária CCR SP Vias, responsável pela operação de estradas no Sudoeste Paulista, mantém parceria com a Unesp para auxiliar no resgate de animais que surgem nas rodovias. Muitos deles, feridos. Reprodução TV Globo
Um trabalho que envolve policiais, veteriários e agentes de trânsito tem ajudado no salvamento de animais silvestres no sudoeste do estado de São Paulo. Webysther Nunes wikimedia commons
compartilhe