Prefeito interino de Belo Horizonte por quase 30 dias durante as férias do titular Álvaro Damião (União Brasil), o presidente da Câmara Municipal, Juliano Lopes (Podemos), afirmou que o período à frente do Executivo foi marcado por decisões urgentes, articulação política e desafios concentrados nas áreas da saúde, da limpeza urbana, da educação e da organização do Carnaval. Em entrevista ao Estado de Minas, o vereador fez um balanço sobre o período que terminou nesta segunda-feira (2/2).

Para Juliano, a experiência teve também um forte simbolismo pessoal e político. Morador do Barreiro e com trajetória ligada à periferia da capital, ele destacou o significado de ocupar, ainda que de forma temporária, o principal cargo do município. “É uma honra ser prefeito da cidade de Belo Horizonte por quase 30 dias. Um prefeito que é da periferia, do Barreiro, barreirense de coração, ocupando o cargo maior do nosso município, onde eu criei minhas filhas e onde eu moro”, afirmou.

Um dos primeiros desafios enfrentados pela gestão interina foi a situação dos hospitais filantrópicos conveniados ao município. Segundo Juliano, havia atraso nos repasses, o que exigiu ação imediata do Executivo. “No dia 5 de janeiro, a gente conseguiu uma reunião com os responsáveis pelos hospitais filantrópicos. Havia um atraso, e nós conseguimos fazer um cronograma de repasse, que está sendo cumprido pela prefeitura”, disse.

O prefeito interino fez questão de ressaltar que parte do problema teve origem no calendário de transferências federais. “É importante deixar claro que o governo federal mandou o último repasse no dia 30 de dezembro de 2025, o que acabou atrasando um pouco. A gente conseguiu resolver isso”, afirmou.

Outro episódio que exigiu resposta rápida foi a greve dos garis, que impactou a limpeza urbana em parte da cidade. Juliano explicou que Belo Horizonte conta com três empresas responsáveis pela coleta de lixo, mas apenas uma apresentava problemas trabalhistas. “Apenas uma empresa estava dando problema em relação à contratação desses garis”, disse. Segundo ele, a solução veio após diálogo direto com os envolvidos. “Nós conseguimos, junto com o secretário de Governo, Guilherme Daltro, resolver esse problema”, afirmou.

A organização do Carnaval de Belo Horizonte também entrou na lista de desafios do período. Com restrições orçamentárias, a gestão interina buscou alternativas para garantir a realização da festa. “O Carnaval foi um desafio grande. Apesar de o número ainda não ser o ideal, conseguimos algumas cotas de patrocínio para o Carnaval de Belo Horizonte”, disse.

Na avaliação de Juliano, o funcionamento da máquina pública durante o período só foi possível graças ao apoio da equipe do Executivo. “Foi uma responsabilidade enorme, mas com o apoio de todos os secretários da prefeitura. Quero agradecer também a todos os funcionários, que foram muito competentes no que foi pedido”, afirmou.

Na área da educação, o prefeito interino destacou como uma das principais entregas a nomeação de 400 professores da educação infantil. A medida, segundo ele, teve impacto direto no atendimento da rede municipal. “Durante esse período, nós conseguimos nomear 400 professores da educação infantil, numa ação junto com a secretária Natália. Esses professores já estão em fase de entrega de documentação”, afirmou. Professor de formação, Juliano ressaltou o significado pessoal da decisão. “Como professor, formado em licenciatura plena e bacharel, foi uma experiência muito agradável poder chamar esses 400 novos educadores”, disse.

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Ao encerrar o balanço, Juliano Lopes afirmou que a passagem pelo Executivo reforçou a complexidade da administração municipal e a importância da articulação institucional entre Prefeitura e Câmara. “Foi um desafio ser prefeito dessa cidade por um prazo tão grande”, concluiu.

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