O vice-governador e pré-candidato ao governo de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), avaliou a movimentação política em torno de uma possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao Palácio Tiradentes. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, Simões afirmou ter “uma certeza”: se Pacheco se filiar ao União Brasil, “é porque ele não é candidato”.
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Simões explicou que trata o PP e o União Brasil de forma conjunta porque as duas siglas estão federadas nacionalmente e, portanto, devem caminhar juntas na eleição mineira. Segundo ele, essa configuração garante o apoio formal das duas legendas à sua própria candidatura. Na leitura do vice-governador, uma eventual filiação de Pacheco ao União Brasil representaria uma “desistência de candidatura a cargo majoritário”, embora o senador ainda avalie outras legendas, como PSB ou MDB, que poderiam compor um palanque alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais.
O vice-governador afirmou ainda não saber se Pacheco “tem vontade” de disputar o governo e ironizou ao dizer que “o governo de Minas não é prêmio de consolação para quem queria virar ministro do Supremo”. Simões lembrou que, historicamente, candidatos sempre demonstraram de forma explícita o desejo de disputar o cargo antes de entrar na corrida eleitoral.
Para ele, o histórico sugere que quem não quer ser governador dificilmente vence uma eleição para o posto. Simões também afirmou que, em sua avaliação, o senador já demonstrou falta de interesse na disputa e que, se optar pelo União Brasil, fará, em sua leitura, “um movimento de aposentadoria política”.
O que se sabe sobre a indefinição de Rodrigo Pacheco
O senador Rodrigo Pacheco, presidente do Senado entre 2021 e 2025 e eleito por Minas Gerais em 2018, está no centro de uma movimentação política complexa nos bastidores das eleições de 2026. Nos últimos meses, Pacheco avalia se disputará ou não o governo de Minas e, em caso afirmativo, por qual legenda.
Desde o dia 8 de janeiro, o senador tem se aproximado gradualmente do PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o vê como possível candidato ao governo mineiro. Por isso, busca uma sigla que dê sustentação à eventual candidatura, mas que o mantenha no centro do espectro político. Nos bastidores, aponta-se que ele aguarda um convite concreto de partidos como União Brasil ou MDB, que estariam dispostos a recebê-lo.
No PSD, a permanência de Pacheco tornou-se insustentável após a migração de Mateus Simões para a legenda, com o apoio do governador Romeu Zema (Novo), e o lançamento do vice-governador como candidato governista. A filiação de Simões praticamente inviabilizou a permanência do senador no partido caso ele queira disputar o governo estadual.
As tratativas com o União Brasil são conduzidas no plano nacional, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atuando como articulador para aproximar Pacheco da federação União-PP. A eventual filiação teria como objetivo não apenas viabilizar uma candidatura, mas também garantir espaço político e partidário competitivo em Minas Gerais.
Ao mesmo tempo, a indefinição de Pacheco tem provocado movimentações de outros partidos e lideranças no Estado. Diante da possibilidade de o senador não se comprometer com a disputa ou enfrentar dificuldades na composição partidária, legendas como PSB e MDB intensificam conversas para construir alternativas eleitorais, seja com nomes próprios, seja por meio da tentativa de atrair figuras políticas locais para a formação de palanques estratégicos em Minas.
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A entrevista completa com o vice-governador e pré-candidato ao governo de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), será publicada na edição desta quarta-feira (4/2) do Estado de Minas, e os cortes dos vídeos estarão disponíveis ao longo do dia no portal UAI.
